quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Santa Comba da Vilariça em 1972


A Isabel sugeriu-me dar um salto à página do facebook "Somos Transmontanos" onde dizia estar uma interessantíssima foto sobre Santa Comba. Sem perder tempo lá fui e deparei-me com esta verdadeira maravilha a qual vim a descobrir ter sido enviada por Maria Elisa Dobrões, que pelo ângulo, deverá ter sido tirada de casa de seus pais.
Imediatamente entrei em contacto com a Maria Elisa pedindo-lhe autorização (prontamente concedida) para editar a fotografia também aqui no blog, pois julgo ser de bastante interesse para apreciar a evolução da nossa terra. Nela podemos ver que já quase nada do que ali estava existe no momento actual, excepto o marco e a moagem no canto inferior esquerdo.
Esta fotografia traz-me imensas recordações, pois era uma paisagem que fez parte da minha infância e na qual estão retratadas algumas coisas de que ainda me lembro perfeitamente. No canto inferior direito ainda se pode ver o portão do curral do Forneiro; atrás do poste o cortinheiro do Álvaro "Pimpim", verdadeiro oásis para as nossas brincadeiras; lá ao fundo à esquerda o eucalipto da Fonte Nova, o qual ainda me lembro de derrubarem ... e o delicioso pormenor dos perús a "pastarem" pelo meio da rua, tão usual nessa altura. 
Ainda não se encontrava "estacionado" junto ao cortinheiro aquele carro preto que tanta "viagem" nos proporcionou e que mais tarde veio a servir de casota numa horta. 
Como o tempo passa!

sábado, 6 de agosto de 2011

Quando não se pode ir à missa ...


Aqui fica uma oração para aqueles que, quando ouvem tocar à missa, por qualquer motivo não podem ir.

Toca à missa
meu Senhor salvador.
A hóstia consagrada
o corpo do Senhor.
Se alguma má sentença
contra mim estiver dada
a Nossa Senhora minha advogada
o menino Jesus o meu escrivão
para que tenha parte na missa
como aqueles que lá vão.


terça-feira, 2 de agosto de 2011


De todas as datas inscritas captadas até ao momento, esta é sem dúvida a mais antiga delas todas. Curiosamente foi a última, pois estava convencido que a mais antiga seria a da padiera da Igreja, de 1719.
Apesar de ser bem perceptível a data, os sinais que se lhe seguem não nos permitem ousar qualquer interpretação, lamentavelmente.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Entradas:
Linguiça, melão, presunto, bolos de bacalhau, rissóis, camarão, queijo.

Prato:
Bacalhau à Casa

Bebidas:
Vinho da casa, água, refrigerantes.

Sobremesas:
Salada de fruta, pudim, mousse de chocolate.

Preço:
15 Fumeiros da Brasa

domingo, 3 de julho de 2011

2º Jantar dos Amigos da Terra



Como parece ter ficado combinado no jantar do ano passado, a data indicada para o nosso 2ºjantar seria a 5ª feira antes da festa, no caso deste ano, dia 18 de Agosto. Como vão sendo horas de começar a combinar as coisas, fica então aqui o aviso para aqueles que queiram participar. A inscrição poderá ser feita usando o endereço do blog, ou então nos próprios comentários deste ou de outro post.
Vai ser colocada no lado direito do blog uma lista dos participantes à medida que se forem inscrevendo. O amigo Arsénio, no jantar do ano passado, deu a ideia de se colocar uma caixa de sugestões para a realização do jantar. Quem quiser, e tendo como ponto de partida o jantar do ano passado, pode enviar as suas ideias ou sugestões (devidamente assinadas), as quais se podem tornar interessantes para enriquecer o nosso convívio.

sábado, 2 de julho de 2011

Utilidades

Vai ser disponobilizada a partir de hoje uma nova secção "utilidades", a qual irá ser alojada no lado direito do blog. Provavelmente não será novidade para ninguém, mas se por caso houver alguém que delas precise, bastar-lhe-á clicar no link para a elas aceder de imediato. À medida que forem sendo editadas, o link ficará no texto do post, mas posterioremente serão colocadas no sítio.
Essas utilidades serão links de páginas que podem dar jeito estar à mão, para delas usufruir quando se necessitar. Se por acaso, algum conterrâneo quiser contribui com outras utilidades poderá fazê-lo, deixando a informação nos comentários ou então utilizar o endereço do blog. Bom proveito.

  •  https://servicos.min-saude.pt Marcação de consultas online - exige um registo prévio do utente, o qual pode, além de marcar consultas no seu centro de saúde com o seu médico de família, pedir receitas ou actualizar o seu agregado familiar sem ter que se deslocar;
  • www.viamichelin.pt/ Mapas de Portugal e da Europa, plantas de cidade, cálculo de itinerários rodoviários, informação tráfego e guia de endereços. Muito útil para quem pretenda planear as viagens com antecedência;
  • http://www.recenseamento.mai.gov.pt/ Consulta dos cadernos de recenseamento. Para quem precise de saber o seu número de eleitor e a freguesia ou distrito consular a que pertence.
  •   www.wdl.org/pt/ Biblioteca Digital Mundial pertencente à UNESCO. Pode ler-se em Português, Francês, Espanhol e Inglês. É só escolher a língua!Aprendendo a navegar, podemos ampliar fotos, ler comentários e manuscritos raros...etc. Muito intressante!  

quarta-feira, 22 de junho de 2011

"Oásis de Trás-os-Montes"

"Oásis de Trás-os-Montes é uma reportagem de Eduarda Freitas feita no Vale da Vilariça, onde os pêssegos, as nectarinas, os figos, as cerejas e as peras, começam a ganhar prestígio e fama, à medida que o próprio vale vai ganhando dimensão nacional como polo produtor de frutas".


Ainda se pode ouvir no link em baixo, a reportagem da Antena 1 sobre o Vale da Vilariça, onde participam os nossos conterrâneos Moisés Brás, Gil Freixo, Fernando Brás e Fernando Barros. Poder-se-á perceber por aqui a imensa riqueza com que fomos contemplados pela mãe Natureza e o sábio aproveitamento e desenvolvimento da cultura agrícola.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Carta Aberta


Vila Real, 18 de Junho de 2011
Aos conterrâneos
Tendo em conta a profusão e variedade de comentários que o post de 19 de Maio provocou, enquanto seu autor e administrador do blog, cumpre-me dirigir estas palavras a todos os conterrâneos que assiduamente visitam este espaço. Embora não me sinta obrigado a justificar o que quer que seja, talvez se torne oportuno reflectir sobre a finalidade e utilidade do blog. Além da participação dos comentadores, houve ainda vários conterrâneos que se dirigiram ao blog utilizando o endereço do correio electrónico manifestando também eles algum desconforto com o rumo dos acontecimentos.
Apesar de não ter nascido em Santa Comba, criei-me lá até aos dez anos, idade com que saí, para depois só lá voltar quando as oportunidades se proporcionam. Desde sempre fui criado numa infância feliz, numa terra que me deu gratas e boas recordações, as quais servem para fortalecer os laços que a ela me ligam.
Toda a vontade que tive, e tenho, de estar na minha terra, é proporcional à distância que dela me separa. Por estar sempre fora é que a ideia da criação do blog ganhou força, para assim compensar de alguma forma a tão indesejada ausência. Criei-o tendo como finalidade primeira partilhar tudo o que possuo sobre Santa Comba, independentemente do seu interesse e relevância, e sempre esperando que também outros conterrâneos colaborassem na sua construção.
Os pressupostos da vontade, liberdade e responsabilidade, que estão na base da sua criação, manter-se-ão inabaláveis, porque só assim se poderá construir um espaço plural, digno e coerente. Por isso mesmo, logo desde o primeiro dia ponderei a hipótese de filtrar e moderar os comentários, mas decidi não o fazer para que a participação dos visitantes fosse feita com total imparcialidade. A história continuará a escrever-se com actos e palavras e dessa forma restará aos seus autores a consciência de os ter efectuado. Contudo, para isso será imperativo que essa consciência se reflita na assinatura dos comentários.
Não me considero pessoa de crítica maliciosa, nem gosto de utilizar a ironia no meu discurso, mas tal não impedirá que me interrogue sobre as coisas e sobre elas formar os meus juízos de valor, onde obviamente irão transparecer aspectos do meu carácter. Não defendo qualquer facção política, nem represento quaisquer interesses cooperativos, que não sejam outros que possam resultar em proveito e desenvolvimento na nossa terra. Inevitável e fisicamente irei continuar longe da minha aldeia, mas tal não impedirá de me disponibilizar para colaborar naquilo que me for possível.
Sem querer reclamar qualquer protagonismo, nem protagonizar qualquer acto de coragem, irei prosseguir com a actualização do blog, partilhando informação e promovendo outros assuntos passíveis de causar interesse e reflexão sobre ao que aquilo a todos diga respeito e que isso possa agregar vontades em torno de projectos comuns.
Que o carinho e o interesse pela nossa terra prevaleça.
Abraço conterrâneo
Manuel José Vilares

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Falha da Vilariça



Ao que parece, a nossa terra assenta precisamente na falha de Manteigas-Vilariça-Bragança, uma das grandes estruturas tectónicas do NE de Portugal, com um comprimento aproximado de 220 Km. Apesar de ser uma falha relativamente estável, deve tornar-se preocupante, uma vez que é no segmento da Vilariça que a falha atinge o valor máximo de 9 km de desligamento.
O nosso país situa-se numa zona de risco sísmico moderado, mas como sabemos que as placas estão interligadas e em movimento constante, a tensão libertada rapidamente passa de um ponto para o outro do território, até do globo, não se sabendo muito bem onde poderá despoletar.
"Um sismo é um fenómeno natural, resultante de uma rotura mais ou menos violenta da crosta terrestre, à qual corresponde a libertação de uma grande quantidade de energia e de vibrações, em toda a zona circundante. Na maior parte dos casos, o abalo deve-se ao movimento ao longo das falhas geológicas existentes entre as diferentes placas tectónicas, que constituem a região superficial da Terra".
Assim, só nos resta conviver com a ideia de que há uma falha tectónica que se encontra debaixo dos nossos pés. E caso se verifique um fenómeno sismíco de grande amplitude, não haverá previsão que nos valha. O último sismo com origem na falha da Vilariça ocorreu em 19 de Março de 1858 que destruiu a vila de Moncorvo e causou muitos danos nas aldeias vizinhas.

Agora o que eu não percebo é que, tendo todo este conhecimento presente, se tenham construído barragens em cima da falha e o próprio traçado do IP 2 assentar também ele ao longo da sua extensão. Ele há coisas!


Nota: Citação e imagem da revista Visão nº950 - 19 a 25 de maio de 2011. Outra informação foi retirada avulso da net.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Santa Comba da Vilariça - 1706



Lugares que tocão à Abbadia dos Frades Bernardos do Convento de Bouro

Termo de Alfandega da Fè

Os que neste termo tocão, saõ os seguintes:

Vilar de baixo tem quarenta & seis visinhos, Igreja Parochial da apresentação do Dom Abbade de Bouro, mais duas Ermidas, & cinco fontes : he terra quente, & tem frutas de espinho.

Villarelhos, terra quente, tem setenta visinhos, Igreja Parochial da mesma apresentação, mais quatro Ermidas, & seis fontes.

Santa Justa, terra quente, tem vinte & cinco visinhos, Igreja Parochial da mesma apresentação, mais huma Ermida, & quatro fontes. Pelo meyo deste lugar passa huma ribeira de poucas aguas, que chamão Alvar, que nasce na serra de Montemel pela parte do lugar de Covellas, & passando junto da Villa de Alfandega, vem este lugar, & desagua na ribeiraVellarva, havendo caminhado quatro legoas.

Nuzellos tem dez visinhos, huma Ermida, & tres fontes.

Ridevides tem quatro visinhos, huma Ermida, & tres fontes.

Oucizia tem cincoenta visinhos, Igreja Parochial da mesma apresentação, mais duas Ermidas, & doze fontes: huma dellas muy celebrada, que chamão Agaicha, porque de hum tosco penhasco em sitio fresco, & agradavelnasce hua telha de excellente agua, que serve de regalo aos moradores, & de fertilidade aos campos visinhos.


P. Antonio Carvalho da Costa, Corografia Portuguesa, 1706

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Santa Comba da Vilariça - 1706



Lugares que tocão à Abbadia dos Frades Bernardos do Convento de Bouro

Termo de Villa Flor

Santa Comba he cabeça de huma Abbadia de sete Igrejas sitas no termo de Villa Flor & da Villa de Alfandega da Fé, cujos dizimos pertencem aos Religiosos de S. Bernardo do Real Convento do Bouro na Provincia do Minho, que rende setecentos & cincoenta mil reis cada anno; constão os frutos dellas de muito azeite, bastante paõ, algum vinho & linhos: este lugar he Vigayraria confirmada da apresentaçaõ do Dom Abbade do mesmo Convento, tem cento & doze visinhos, & demais da Igreja Parochial tem quatro Ermidas, & quatro fontes: recolhe muito azeite.

Bemlhevay tem setenta visinhos, Igreja Parochial da mesma apresentaçaõ, mais três Ermidas, & oito fontes: he lugar fresco e abundante de aguas.

Trindade tem oito visinhos, Igreja Parochial da mesma apresentaçaõ, nenhuma Ermida, & huma fonte; a Igreja he sumptuosa, dizem fora dos Templarios: a metade deste lugar quanto à juridição secular he termo da Villa de Mirandella.

Valbom tem trinta visinhos, huma hermida, & duas fontes: recolhe muito azeite.

Macedo tem vinte visinhos, duas Ermidas, & duas fontes, & hum ribeiro, que rega todo o lugar; junto a elle está huma serra toda cavada, & e furada; & he tradiçaõ, que antigamente houve ahi minas, naõ se sabe de que metal, & se presume serem as que prohibe a Ordenação de Trás os Montes.

P. António Carvalho da Costa, Corografia Portuguesa, 1706

Nota: De todos os apontamentos corográficos recolhidos até ao momento, este é sem dúvida o mais antigo. Já que estamos em tempos de transição ortográfica, o texto encontra-se tal e qual o original para assim também podermos apreciar modos de escrita com trezentos anos. Nesta altura ainda não se utilizava a letra "s" com a forma de hoje, era mais uma espécie de "f".

domingo, 22 de maio de 2011

Almoço dos caçadores

Se não me engano, há já três anos que a associação de caçadores organiza este almoço, que pretende não só presentear todos os seus sócios e outros caçadores, mas também todos os proprietários pertencentes à zona de caça, compreendida nos termos de Assares, Lodões e Santa Comba.

Não me lembro se foi assim nos anos anteriores, mas este ano, a associação escolheu o último dia de caça ao tordo (20 de Janeiro) para realizar esta actividade, tentando desta forma abranger o maior número de caçadores, o que se torna uma magnífica ideia.

Sendo o motivo que é, e sendo realizada precisamente para esse fim, é óbvio que a ementa teria que ser constituída à base de caça, se bem que também se assaram umas febras e alguma carne entremeada para quem não aprecia carne de javali.
Melhor dizendo, de javalis. Tendo em conta o número de participantes, foi precisa carne de duas presas para que não houvessem falhas. E não houve.

Como se pode ver, a carne foi confeccionada naqueles magníficos potes que já raramente se vão utilizando, mas que para este tipo de eventos não há coisa melhor.

Portando-se como um verdadeiro ajudante de cozinheiro, o zelo do nosso conterrâneo Jacinto foi imprescindível para que tudo corresse às mil maravilhas.

Sendo a carne que é, de características muito intensas, a sua confecção requer alguma habilidade e paladar apurado. O nosso cozinheiro-mor, o Paulo Vilares, lá se encarrega de não se esquecer de trazer os ingredientes, entre os quais algumas ervas aromáticas dos nossos montes e também bebidas alcoólicas para tornar a carne mais macia. O resultado revelou-se excelente.
Enquanto uns se ocuparam das carnes, outros atiraram-se às batatas, que depois de cozidas tornam-se o melhor acompanhamento para este "gaspacho". E como se pode ver, por todos não custa nada. A mim, mais o "Parrilha", tocou-nos o descasque dos alhos e das cebolas e depois a assadura das outras carnes.
Quando se aproximou a hora do almoço, o pessoal lá se foi juntando, ansioso por participar neste alegre acontecimento. Enquanto se esperava, ia rodando um garrafão com um bom Porto, para abrir os apetites. Embora haja mulheres de caçadores que participam também nestes eventos, neste dia são poupadas ao trabalho, ficando tudo por conta dos homens.
Pronta a paparoca, toca lá a sentar para saborear o almoço em alegre comunhão.
O salão estava cheio com practicamente todos os lugares ocupados.

E toda a gente foi muito bem servida por estes dois caçadores!

Para evitar andar com travessas pelas mesas, cada pessoa, retirava um prato à entrada, e ao passar por aqui era-lhes servida a carne e as batatas. Foi muito boa ideia. Havia ainda outros dois servidores do outro lado, mas não me recordo agora quem era e na altura da fotografia também já não estavam lá.
Por conversas que se foram ouvindo, mais uma vez este acontecimento foi um sucesso. Ouvi muita gente gabar a comida e também muita gente de fora, elogiar a organização do evento assim como as magníficas instalações de que dispomos para a sua realização.
Pelo que vou constatando e pelo que muita gente diz, as pessoas de Santa Comba parecem ser as que menos aderem a estes acontecimentos. Nota-se a falta de alguns caçadores e também de muita gente da aldeia que, com todo o direito poderia participar. O almoço é divulgado em edital e só não vai quem não quer. Mas como bem diz o povo, só fizeram falta os que lá estiveram.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

A bem da verdade, nunca fui, nem sou, muito ligado ao futebol.

Lembro-me da forma como se formavam as equipas, em que os "capitães" escolhiam os seus jogadores de entre os elementos que se encontravam encostados à parede e dos quais, eu era dos últimos a ser escolhiho, tal era a habilidade.

Contudo, e se é de futebol que estamos a falar, da equipa da nossa aldeia guardo ainda algumas recordações. Não sei ao certo se as irei mencionar por ordem cronológica, nem se a equipa da nossa terra estaria já constituída como clube, mas o que é certo é que ainda me recordo bem.

Lembro-me de ir a pé a Benlhevai; de ir à Eucísia no "machibombo" do Estica; a Roios na carrinha do Zé Conde; à Freixeda de autocarro e já mais tarde de ir ver jogos do nosso clube a Bragança, Morais e Miranda do Douro, além de inúmeros jogos em casa.

Lembro-me também que o futebol era um acontecimento que fazia vibrar as populações locais, quer pelo seu entusiasmo quer pelo clubismo que contagiava a região em redor.

Sei que a nossa terra conseguiu "parir" boas mãos cheias de jogadores, que pelo amor à camisola tudo davam para dignificar a sua origem. (Era giro editar aqui fotografias da nossa equipa, não era?Pois era!)

Já agora, lembro-me também que, antes de haver o campo novo, ainda se jogava (entre os da terra) no Campo da Rasa e no Pinheiro. No Sairinho, não estou bem certo, mas quase que me atrevia a dizer que me ainda me lembro também. Mas não afirmo.

Agora, o que afirmo, é que ouvi dizer, que aquando da extinção do nosso clube, houve quem tivesse a coragem de "deixar por lá" toda a sua logística, desde a carrinha, às bolas e ao equipamento. Tudo abandonado em qualquer barranca! Nem quis acreditar.

Como é que isso foi possível? Como é que alguém conseguiu destruir e abandonar um projecto que era de todos nós e que tantas boas emoções nos proporcionou?

Simplesmente lamentável! Para não dizer vergonhoso.

Nota: Último logótipo utilizado pelo clube, com alterações ao logótipo original.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

ESTATUTOS

ARTIGO 1.º

O Grupo Desportivo e Cultural de Santa Comba da Vilariça tem por fim a promoção cultural dos seus associados e de toda a população local, e a sua sede é na freguesia de Santa Comba da Vilariça, concelho de Vila Flor.

ARTIGO 2.º

Podem associar-se todos os indivíduos que preencham os requisitos de admissão constantes do regulamento interno; os associados podem exonerar-se a todo o momento, desde que liquidem as suas dívidas com a colectividade até à data da exoneração; só podem ser excluídos por falta grave apreciada pela direcção e após ratificação pela primeira reunião da assembleia geral.

ARTIGO 3.º

São órgãos do Grupo Desportivo e Cultural de Santa Comba da Vilariça a assembleia geral, a direcção e o conselho fiscal.

ARTIGO 4.º

A competência e a forma de funcionamento da assembleia geral são as prescritas das disposições legais aplicáveis, nomeadamente os artigos 170.º e 173.º do Código Civíl.

A mesa da assembleia geral é composta de três associados, competindo-lhes convocar e dirigir as assembleias gerais e redigir as actas correspondentes.

ARTIGO 5.º

A direcção é composta por dez associados e compete-lhe a gerência social, financeira, administrativa e disciplinar devendo reunir, pelo menos, uma vez por mês.

ARTIGO 6.º

O conselho fiscal é composto por três associados e compete-lhe fiscalizar os actos administrativos e financeiros da direcção e verificar as suas contas e relatórios e dar o seu parecer sobre os mesmos. O conselho fiscal reunirá pelo menos uma vez em cada trimestre.

ARTIGO 7.º

No que estes estatutos sejam omissos rege o regulamento geral interno, cuja aprovação e alteração são da competência da assembleia geral.

Está conforme o original.

Cartório Notarial de Vila Flor, 18 de Novembro de 1980. - A Ajudante, Lília da Conceição Fonseca.

Diário da República III Série-N.º6-8-1-1981

Nota: Logótipo do Grupo Desportivo e Cultural de Santa Comba da Vilariça ( do mesmo autor).

sábado, 7 de maio de 2011

GRUPO DESPORTIVO E CULTURAL

DE SANTA COMBA DA VILARIÇA


"Certifico que, por escritura datada de 13 de Novembro do ano em curso, lavrada no Cartório Notarial de Vila Flor, a cargo da licenciada Maria Filomena Donas Boto Saraiva de Aguiar Pinto Ferreira, e exarada de fl. 77 v.º a fl. 81 do livro de notas para escrituras diversas nº 33-B, Manuel António Freire Vilares, casado, natural da freguesia de Santa Comba da Vilariça, concelho de Vila Flor, e aí residente, Amândio Júlio Freire, casado, natural da freguesia de Santa Comba da Vilariça, concelho de Vila Flor, e aí residente habitualmente, Manuel António Vilares, casado, natural da freguesia de Santa Comba da Vilariça, concelho de Vila Flor, e aí residente habitualmente, Acácio dos Santos Soeiro, casado, natural da freguesia de Valverde, concelho de Alfândega da Fé, e residente habitualmente na freguesia de Santa Comba da Vilariça, concelho de Vila Flor, Francisco José Teixeira Silva, casado, natural da freguesia de Santa Comba da Vilariça, concelho de Vila Flor, e aí residente habitualmente, José Joaquim Pires, casado, natural da freguesia de Santa comba da Vilariça, concelho de Vila Flor, e aí residente habitualmente, Hernãni Joaquim Vilares Teixeira, solteiro, maior, natural da freguesia de Santa Comba da Vilariça, concelho de Vila Flor, José Manuel Vilares Teixeira, casado, natural da freguesia de Santa Comba da Vilariça, concelho de Vila Flor, e aí residente habitualmente, José Augusto Cristóvão Diogo, casado, natural e residente na freguesia de Santa Comba da Vilariça, concelho de Vila Flor, e Paulo Augusto Padrão, casado, natural da freguesia de Vilarelhos, concelho de Alfândega da Fé, e residente habitualmente na freguesia de Santa Comba da Vilariça, concelho de Vila Flor, constituíram entre si uma associação denominada Grupo Desportivo e Cultural de Santa Comba da Vilariça, que se regerá pelos seguintes estatutos: "
(continua)

Projecto da maquete original enviado pelo próprio autor - Manuel Freire Vilares

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Antes de entrar p'rá igreja

Uma simples quadra que se costuma dizer antes de entrar na igreja:
Pecados ficai cá fora
que eu quero entrar p'ra dentro.
Quero ir visitar
o Santíssimo Sacramento.

domingo, 3 de abril de 2011

Tocam os sinos, na torre da igreja ...

O ritual

Como hoje foi domingo, de certeza que o nosso esmerado sacristão não teria deixado de, pontualmente, ter alertado os fiéis da nossa terra para a eucaristia dominical.
A propósito do toque dos sinos da nossa terra, vem-me sempre à ideia uma história que o meu professor de filosofia contava acerca da pontualidade de Kant, filósofo alemão do sec. XVIII. Segundo a lenda, a sua pontualidade era tanta que os vizinhos acertavam os seus relógios pela hora em que ele aparecia na porta de casa para iniciar a sua caminhada diária.
No que respeita ao Alberto, se estivermos com atenção, aperceber-nos-emos que, infalivelmente, as três vezes do toque da missa de domingo, são intervaladas por espaços de meia hora, certinhos. Há ainda um quarto toque de três badaladas simples, que significa a entrada dos homens na igreja, visto que as mulheres terão, por regra, de entrar ao terceiro toque. Já tenho perguntado noutros sítios se existe também este toque e parece-me que não é muito usual. Talvez o Alberto me saiba dizer um dia destes.


A concentração

Já há muito tempo que não subo ao campanário da nossa igreja, mas lembro que da última vez, fiquei com a ideia que, além de meter alguma impressão, as escaleiras estarem dispostas de uma forma irregular, o que dava a sensação de alguma insegurança. Certamente serão pormenores que não assustam o Alberto, que já deve conhecer o caminho de cor e salteado e como a carne não lhe pesa, até se encarrapita por ali acima com uma perna às costas, se preciso for. É obvio que todos nós sabemos distinguir os toques que soam dos nossos sinos, destinados a marcar os variados eventos religiosos , desde a simbologia da purificação do batismo, até à dolorosa e irremadiável perda do funeral.
Por acaso, conheço o toque dos sinos de outros lugares e nada se compara ao afinado toque dos nosso sinos, nem pelo som, nem pela habilidade do sacristão, onde ao som roufenho e inespressivo que escorre pela igreja abaixo, junta-se-lhe a falta de arte do tocador, que simplesmente faz tanger o badalo com umas simples e parcas baraçadas.

O domínio técnico

O nosso sacristão leva o seu ofício a sério, pois consegue tratar os sinos por "tu", manejando os badalos com tal técnica que consegue daí arrancar música para os nossos ouvidos. Estou até convencido que se atreveria com qualquer carrilhão que lhe pusessem nas mãos, tal é a sua habilidade no manejo dos badalos. Creio que o Alberto toca por gosto!
Mas na verdade, o Alberto além de tratar bem dos sinos, também se lhe impõe a responsabilidade de manter outras funções na igreja, importantíssimas para a nossa comunidade e para a nossa igreja. Embora o seu serviço pareça discreto, torna-se decisivo para o funcionamento da igreja e para o desenrolar das celebrações religiosas.
Quero aqui deixar a minha simples homenagem ao Alberto, por quem tenho a maior simpatia. E de mau grado será que, com o inevitável e normal decorrer do tempo, venhamos a ter saudades do toque dos nossos sinos e do nosso sacristão.

Fotos enviadas e legendadas por Manuel Freire Vilares

sábado, 2 de abril de 2011

Amanhã é domingo ...


Amanhã é domingo
cantará o pintassilgo.
O pintassilgo é dourado
não tem rabo nem cavalo
só tem um burrinha cega.
De castelos a castelões
o primeiro que falar
leva cem carros de cagalhões.

Esta lenga-lenga que me foi ensinada pela minha avó, fazia parte de um jogo(tipo jogo do sério) em que nos encaravamos frente a frente, e aquele que fosse o primeiro a rir-se perderia, sem a dita recompensa obviamente, mas só essa ideia fazia do perdedor motivo de troça. Esta versão, tal como a sei desde sempre, foi-me confirmada por pessoas mais velhas, tal e qual como aqui se apresenta.No entanto, movido por alguma curiosidade, lembrei-me de efectuar uma breve pesquisa na net e encontrei repetidamente esta lenga-lenga de forma ligeiramente diferente:

Amanhã é domingo
Cantará o pintassilgo
Pintassilgo é dourado
Não tem um burro nem cavalo
Tem uma burrinha cega
Que chega daqui a castela
Castelinha castelão
Minha avó deu-me um pão
Para mim e para o meu cão.

A propósito do pintassilgo (Carduelis carduelis), veio-me agora à ideia que já não há tantos como havia antigamente. Tendo sido caçador de passáros durante muito tempo, lembro-me de todos os que tinhamos armas de chumbos e não havia muito o hábito de matar este belo e colorido pássaro. Até me parece que se dizia que era pecado! E visto isso a esta distância, realmente até é. Havia muita gente que procurava os seus ninhos para os colocar em gaiolas, devido ao seu magnífico canto e também à sua plumagem. Lembro-me também de aparecerem por lá uns finórios que os apanhavam com visco (ou visgo). Ao que parece, nos dias de hoje é uma espécie protegida pelo que é proibida a sua detenção.

sábado, 19 de março de 2011

Património histórico

Numa das muitas deambulações que costumo fazer pelas ruas da nossa terra, encontrei este magnífico pormenor. Nunca tinha visto o eixo de uma carroça a servir de padieira a uma porta. Tenho várias fotografias em que as padieiras são traves de madeira, agora com eixo só conheço esta. Curiosamente, se caminharmos com tempo e olharmos com calma, apercebemo-nos que a nossa terra é riquíssima em pequenos pormenores históricos, que nos ajudam a perceber melhor a realidade de outros tempos. E será com tempo, que terei imenso prazer em partilhar com todos, todo o património que fui recolhendo e os pormenores que mais me impressionaram

Lembro-me de ter falado com um conterrâneo, também interessado por coisas da aldeia, sobre este pormenor. E fiquei surpreendido quando me disse que havia muitos mais como este. Não o desmenti, pois eu só conheço este.
E lá continuamos a falar da riqueza do vasto património da nossa aldeia. À medida que íamos diversificando o tema do património, ele ia-me dizendo: "- Quem tem muito coisa sobre isso é fulano ..."; "-Quem sabe muito disso é sicrano ...". E por aí fora.
É óbvio que isso não me surpreendeu de todo. O que mais me surpreende é que não se queira partilhar, objectivo único e primordial deste espaço.
Agora que ultrapassamos as 10.000 visitas, até poderia ser altura de fazer um balanço, uma vez que a própria estatísca do blog permitiria tal coisa. Contudo, julgo que não será necessário, visto que os números falam por si. Se há pessoas interessadas em visitar-nos e se há vontade de partilhar, prossigamos.
Para concluir, e a meu ver, julgo que um património histórico que não é utilizado, é um património votado ao abandono.

domingo, 6 de março de 2011

Tempos idos ...


Há muito, muito tempo, na primeira vez que vi esta fotografia, fiquei logo maravilhado. Além de ter sido uma descoberta, é a única fotografia que tenho dos meus tempos da escola primária. Aliás, para já só ainda a tenho em formato digital, mas espero conseguir retocá-la, revelá-la, emoldurá-la e pendurá-la com muito carinho.

Quem me disse que a tinha foi o Paulo, e salvo erro, fomos de propósito a casa dele para a ver. Depois de lha solicitar por imensas vezes, a sua irmã Lucinda amável e graciosamente teve a boa vontade de ma enviar, ao que lhe agradeci e continuarei a agradecer eternamente.

Por esta altura, já era aluno da D. Camila, com quem fiz a 3ª e 4ª classe, pelo que a fotografia deverá ter 35 ou 36 anos. Contudo, atrever-me-ia a arriscar que terá sido na 4ª classe, pois foi ai que encontrei um colega da foto que teria reprovado esse ano.

É óbvio que ainda me lembro de muitos dos colegas da escola dessas classes, mas não consigo identificá-los a todos na foto. Além da falta de memória, também a qualidade da fotografia não permite tal. Ainda assim, vou atrever-me a dizer o nome de alguma rapaziada. Então:

- fila da direita: Constantino; eu; Mário; Raul; o loiro será um filho do Artur "Calão" e o alto lá no fundo, talvez o Bernardo;

- fila do meio: Paulo; Casimiro; Armando; Chiquinho "Pimenta"; um loiro irmão do outro ... e depois, não conheço mais ninguém;

- fila da esquerda: Chiquinho; Fátima; Casimiro; ... Marito (de colarinhos) e o penúltimo, o Fernando "Pingas";

- mais à esquerda, ainda se podem ver a Fátima "Perpétua", a Alice e dois ciganitos.

Para já, é esta a leitura possível da fotografia, espero vir a saber mais alguns nomes dos quais tenho dúvidas. Se, por ventura, alguém tenha conhecimento da foto ou se conseguir identificar mais alguém, agradeço que o faça.

À distância de todo este tempo, continuo a ter boas recordações dos tempos da minha escola primária. Guardo ainda muito vivas, boas e saudáveis memórias de todas essas vivências. Julgo que são esses os tempos em que somos (ou fomos) verdadeira e genuinamente felizes.

"A memória diminui ... se não for exercitada" Cícero

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Inauguração da capela de S. Sebastião

No passado dia 22 de Janeiro realizou-se a inauguração da capela do Mártir S. Sebastião.

Uma vez que não estive presente, limitar-me-ei a editar as fotografias que o conterrâneo e amigo Duarte me enviou.











Costumo dizer que tenho Santa Comba fotografada de lés-a-lés, não por fanfarronice, mas pela simples curiosidade que as coisas me despertam. E curiosamente, da meia dúzia de vezes que me desloquei ao Calvário para fotografar a capela, teria que haver sempre um carro plantado na sua frente.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Montaria aos Javalis

Aquilo que inicialmente parecia um motivo para os caçadores se juntarem e almoçarem em convívio, tornou-ne numa bela caçada. Contava-se que se aparecesse um já era bom, mas com três tornou-se melhor.

A exibição da caçada é inevitável e motivo de orgulho para os caçadores.

Na hora de encher o bandulho, não faltou uma boa dobrada, boa carne assada, vinho à farta e boa disposição.
Boas laranjas da Vilariça para sobremesa.

Outras.
Esta parte ainda sem sobremesa.
Chegada a hora do batismo, havia que benzer o caçador que matou o seu primeiro javali.
Para que ficasse bem batizado!
Com padrinhos destes ... mas ca lindos!!
No leilão, rematou-se uma das presas.
Já comidos, já bebidos e bem conversados, voltamos para esfolar os bichos.
Uns por um lado, outros por este, por todos foi rápido que se fez serviço.
Cabeça seleccionada para troféu da associação dos caçadores.
Matou, esfolou, estripou e depois bebeu ... merecidamente.