domingo, 22 de maio de 2011

Almoço dos caçadores

Se não me engano, há já três anos que a associação de caçadores organiza este almoço, que pretende não só presentear todos os seus sócios e outros caçadores, mas também todos os proprietários pertencentes à zona de caça, compreendida nos termos de Assares, Lodões e Santa Comba.

Não me lembro se foi assim nos anos anteriores, mas este ano, a associação escolheu o último dia de caça ao tordo (20 de Janeiro) para realizar esta actividade, tentando desta forma abranger o maior número de caçadores, o que se torna uma magnífica ideia.

Sendo o motivo que é, e sendo realizada precisamente para esse fim, é óbvio que a ementa teria que ser constituída à base de caça, se bem que também se assaram umas febras e alguma carne entremeada para quem não aprecia carne de javali.
Melhor dizendo, de javalis. Tendo em conta o número de participantes, foi precisa carne de duas presas para que não houvessem falhas. E não houve.

Como se pode ver, a carne foi confeccionada naqueles magníficos potes que já raramente se vão utilizando, mas que para este tipo de eventos não há coisa melhor.

Portando-se como um verdadeiro ajudante de cozinheiro, o zelo do nosso conterrâneo Jacinto foi imprescindível para que tudo corresse às mil maravilhas.

Sendo a carne que é, de características muito intensas, a sua confecção requer alguma habilidade e paladar apurado. O nosso cozinheiro-mor, o Paulo Vilares, lá se encarrega de não se esquecer de trazer os ingredientes, entre os quais algumas ervas aromáticas dos nossos montes e também bebidas alcoólicas para tornar a carne mais macia. O resultado revelou-se excelente.
Enquanto uns se ocuparam das carnes, outros atiraram-se às batatas, que depois de cozidas tornam-se o melhor acompanhamento para este "gaspacho". E como se pode ver, por todos não custa nada. A mim, mais o "Parrilha", tocou-nos o descasque dos alhos e das cebolas e depois a assadura das outras carnes.
Quando se aproximou a hora do almoço, o pessoal lá se foi juntando, ansioso por participar neste alegre acontecimento. Enquanto se esperava, ia rodando um garrafão com um bom Porto, para abrir os apetites. Embora haja mulheres de caçadores que participam também nestes eventos, neste dia são poupadas ao trabalho, ficando tudo por conta dos homens.
Pronta a paparoca, toca lá a sentar para saborear o almoço em alegre comunhão.
O salão estava cheio com practicamente todos os lugares ocupados.

E toda a gente foi muito bem servida por estes dois caçadores!

Para evitar andar com travessas pelas mesas, cada pessoa, retirava um prato à entrada, e ao passar por aqui era-lhes servida a carne e as batatas. Foi muito boa ideia. Havia ainda outros dois servidores do outro lado, mas não me recordo agora quem era e na altura da fotografia também já não estavam lá.
Por conversas que se foram ouvindo, mais uma vez este acontecimento foi um sucesso. Ouvi muita gente gabar a comida e também muita gente de fora, elogiar a organização do evento assim como as magníficas instalações de que dispomos para a sua realização.
Pelo que vou constatando e pelo que muita gente diz, as pessoas de Santa Comba parecem ser as que menos aderem a estes acontecimentos. Nota-se a falta de alguns caçadores e também de muita gente da aldeia que, com todo o direito poderia participar. O almoço é divulgado em edital e só não vai quem não quer. Mas como bem diz o povo, só fizeram falta os que lá estiveram.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

A bem da verdade, nunca fui, nem sou, muito ligado ao futebol.

Lembro-me da forma como se formavam as equipas, em que os "capitães" escolhiam os seus jogadores de entre os elementos que se encontravam encostados à parede e dos quais, eu era dos últimos a ser escolhiho, tal era a habilidade.

Contudo, e se é de futebol que estamos a falar, da equipa da nossa aldeia guardo ainda algumas recordações. Não sei ao certo se as irei mencionar por ordem cronológica, nem se a equipa da nossa terra estaria já constituída como clube, mas o que é certo é que ainda me recordo bem.

Lembro-me de ir a pé a Benlhevai; de ir à Eucísia no "machibombo" do Estica; a Roios na carrinha do Zé Conde; à Freixeda de autocarro e já mais tarde de ir ver jogos do nosso clube a Bragança, Morais e Miranda do Douro, além de inúmeros jogos em casa.

Lembro-me também que o futebol era um acontecimento que fazia vibrar as populações locais, quer pelo seu entusiasmo quer pelo clubismo que contagiava a região em redor.

Sei que a nossa terra conseguiu "parir" boas mãos cheias de jogadores, que pelo amor à camisola tudo davam para dignificar a sua origem. (Era giro editar aqui fotografias da nossa equipa, não era?Pois era!)

Já agora, lembro-me também que, antes de haver o campo novo, ainda se jogava (entre os da terra) no Campo da Rasa e no Pinheiro. No Sairinho, não estou bem certo, mas quase que me atrevia a dizer que me ainda me lembro também. Mas não afirmo.

Agora, o que afirmo, é que ouvi dizer, que aquando da extinção do nosso clube, houve quem tivesse a coragem de "deixar por lá" toda a sua logística, desde a carrinha, às bolas e ao equipamento. Tudo abandonado em qualquer barranca! Nem quis acreditar.

Como é que isso foi possível? Como é que alguém conseguiu destruir e abandonar um projecto que era de todos nós e que tantas boas emoções nos proporcionou?

Simplesmente lamentável! Para não dizer vergonhoso.

Nota: Último logótipo utilizado pelo clube, com alterações ao logótipo original.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

ESTATUTOS

ARTIGO 1.º

O Grupo Desportivo e Cultural de Santa Comba da Vilariça tem por fim a promoção cultural dos seus associados e de toda a população local, e a sua sede é na freguesia de Santa Comba da Vilariça, concelho de Vila Flor.

ARTIGO 2.º

Podem associar-se todos os indivíduos que preencham os requisitos de admissão constantes do regulamento interno; os associados podem exonerar-se a todo o momento, desde que liquidem as suas dívidas com a colectividade até à data da exoneração; só podem ser excluídos por falta grave apreciada pela direcção e após ratificação pela primeira reunião da assembleia geral.

ARTIGO 3.º

São órgãos do Grupo Desportivo e Cultural de Santa Comba da Vilariça a assembleia geral, a direcção e o conselho fiscal.

ARTIGO 4.º

A competência e a forma de funcionamento da assembleia geral são as prescritas das disposições legais aplicáveis, nomeadamente os artigos 170.º e 173.º do Código Civíl.

A mesa da assembleia geral é composta de três associados, competindo-lhes convocar e dirigir as assembleias gerais e redigir as actas correspondentes.

ARTIGO 5.º

A direcção é composta por dez associados e compete-lhe a gerência social, financeira, administrativa e disciplinar devendo reunir, pelo menos, uma vez por mês.

ARTIGO 6.º

O conselho fiscal é composto por três associados e compete-lhe fiscalizar os actos administrativos e financeiros da direcção e verificar as suas contas e relatórios e dar o seu parecer sobre os mesmos. O conselho fiscal reunirá pelo menos uma vez em cada trimestre.

ARTIGO 7.º

No que estes estatutos sejam omissos rege o regulamento geral interno, cuja aprovação e alteração são da competência da assembleia geral.

Está conforme o original.

Cartório Notarial de Vila Flor, 18 de Novembro de 1980. - A Ajudante, Lília da Conceição Fonseca.

Diário da República III Série-N.º6-8-1-1981

Nota: Logótipo do Grupo Desportivo e Cultural de Santa Comba da Vilariça ( do mesmo autor).

sábado, 7 de maio de 2011

GRUPO DESPORTIVO E CULTURAL

DE SANTA COMBA DA VILARIÇA


"Certifico que, por escritura datada de 13 de Novembro do ano em curso, lavrada no Cartório Notarial de Vila Flor, a cargo da licenciada Maria Filomena Donas Boto Saraiva de Aguiar Pinto Ferreira, e exarada de fl. 77 v.º a fl. 81 do livro de notas para escrituras diversas nº 33-B, Manuel António Freire Vilares, casado, natural da freguesia de Santa Comba da Vilariça, concelho de Vila Flor, e aí residente, Amândio Júlio Freire, casado, natural da freguesia de Santa Comba da Vilariça, concelho de Vila Flor, e aí residente habitualmente, Manuel António Vilares, casado, natural da freguesia de Santa Comba da Vilariça, concelho de Vila Flor, e aí residente habitualmente, Acácio dos Santos Soeiro, casado, natural da freguesia de Valverde, concelho de Alfândega da Fé, e residente habitualmente na freguesia de Santa Comba da Vilariça, concelho de Vila Flor, Francisco José Teixeira Silva, casado, natural da freguesia de Santa Comba da Vilariça, concelho de Vila Flor, e aí residente habitualmente, José Joaquim Pires, casado, natural da freguesia de Santa comba da Vilariça, concelho de Vila Flor, e aí residente habitualmente, Hernãni Joaquim Vilares Teixeira, solteiro, maior, natural da freguesia de Santa Comba da Vilariça, concelho de Vila Flor, José Manuel Vilares Teixeira, casado, natural da freguesia de Santa Comba da Vilariça, concelho de Vila Flor, e aí residente habitualmente, José Augusto Cristóvão Diogo, casado, natural e residente na freguesia de Santa Comba da Vilariça, concelho de Vila Flor, e Paulo Augusto Padrão, casado, natural da freguesia de Vilarelhos, concelho de Alfândega da Fé, e residente habitualmente na freguesia de Santa Comba da Vilariça, concelho de Vila Flor, constituíram entre si uma associação denominada Grupo Desportivo e Cultural de Santa Comba da Vilariça, que se regerá pelos seguintes estatutos: "
(continua)

Projecto da maquete original enviado pelo próprio autor - Manuel Freire Vilares

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Antes de entrar p'rá igreja

Uma simples quadra que se costuma dizer antes de entrar na igreja:
Pecados ficai cá fora
que eu quero entrar p'ra dentro.
Quero ir visitar
o Santíssimo Sacramento.

domingo, 3 de abril de 2011

Tocam os sinos, na torre da igreja ...

O ritual

Como hoje foi domingo, de certeza que o nosso esmerado sacristão não teria deixado de, pontualmente, ter alertado os fiéis da nossa terra para a eucaristia dominical.
A propósito do toque dos sinos da nossa terra, vem-me sempre à ideia uma história que o meu professor de filosofia contava acerca da pontualidade de Kant, filósofo alemão do sec. XVIII. Segundo a lenda, a sua pontualidade era tanta que os vizinhos acertavam os seus relógios pela hora em que ele aparecia na porta de casa para iniciar a sua caminhada diária.
No que respeita ao Alberto, se estivermos com atenção, aperceber-nos-emos que, infalivelmente, as três vezes do toque da missa de domingo, são intervaladas por espaços de meia hora, certinhos. Há ainda um quarto toque de três badaladas simples, que significa a entrada dos homens na igreja, visto que as mulheres terão, por regra, de entrar ao terceiro toque. Já tenho perguntado noutros sítios se existe também este toque e parece-me que não é muito usual. Talvez o Alberto me saiba dizer um dia destes.


A concentração

Já há muito tempo que não subo ao campanário da nossa igreja, mas lembro que da última vez, fiquei com a ideia que, além de meter alguma impressão, as escaleiras estarem dispostas de uma forma irregular, o que dava a sensação de alguma insegurança. Certamente serão pormenores que não assustam o Alberto, que já deve conhecer o caminho de cor e salteado e como a carne não lhe pesa, até se encarrapita por ali acima com uma perna às costas, se preciso for. É obvio que todos nós sabemos distinguir os toques que soam dos nossos sinos, destinados a marcar os variados eventos religiosos , desde a simbologia da purificação do batismo, até à dolorosa e irremadiável perda do funeral.
Por acaso, conheço o toque dos sinos de outros lugares e nada se compara ao afinado toque dos nosso sinos, nem pelo som, nem pela habilidade do sacristão, onde ao som roufenho e inespressivo que escorre pela igreja abaixo, junta-se-lhe a falta de arte do tocador, que simplesmente faz tanger o badalo com umas simples e parcas baraçadas.

O domínio técnico

O nosso sacristão leva o seu ofício a sério, pois consegue tratar os sinos por "tu", manejando os badalos com tal técnica que consegue daí arrancar música para os nossos ouvidos. Estou até convencido que se atreveria com qualquer carrilhão que lhe pusessem nas mãos, tal é a sua habilidade no manejo dos badalos. Creio que o Alberto toca por gosto!
Mas na verdade, o Alberto além de tratar bem dos sinos, também se lhe impõe a responsabilidade de manter outras funções na igreja, importantíssimas para a nossa comunidade e para a nossa igreja. Embora o seu serviço pareça discreto, torna-se decisivo para o funcionamento da igreja e para o desenrolar das celebrações religiosas.
Quero aqui deixar a minha simples homenagem ao Alberto, por quem tenho a maior simpatia. E de mau grado será que, com o inevitável e normal decorrer do tempo, venhamos a ter saudades do toque dos nossos sinos e do nosso sacristão.

Fotos enviadas e legendadas por Manuel Freire Vilares

sábado, 2 de abril de 2011

Amanhã é domingo ...


Amanhã é domingo
cantará o pintassilgo.
O pintassilgo é dourado
não tem rabo nem cavalo
só tem um burrinha cega.
De castelos a castelões
o primeiro que falar
leva cem carros de cagalhões.

Esta lenga-lenga que me foi ensinada pela minha avó, fazia parte de um jogo(tipo jogo do sério) em que nos encaravamos frente a frente, e aquele que fosse o primeiro a rir-se perderia, sem a dita recompensa obviamente, mas só essa ideia fazia do perdedor motivo de troça. Esta versão, tal como a sei desde sempre, foi-me confirmada por pessoas mais velhas, tal e qual como aqui se apresenta.No entanto, movido por alguma curiosidade, lembrei-me de efectuar uma breve pesquisa na net e encontrei repetidamente esta lenga-lenga de forma ligeiramente diferente:

Amanhã é domingo
Cantará o pintassilgo
Pintassilgo é dourado
Não tem um burro nem cavalo
Tem uma burrinha cega
Que chega daqui a castela
Castelinha castelão
Minha avó deu-me um pão
Para mim e para o meu cão.

A propósito do pintassilgo (Carduelis carduelis), veio-me agora à ideia que já não há tantos como havia antigamente. Tendo sido caçador de passáros durante muito tempo, lembro-me de todos os que tinhamos armas de chumbos e não havia muito o hábito de matar este belo e colorido pássaro. Até me parece que se dizia que era pecado! E visto isso a esta distância, realmente até é. Havia muita gente que procurava os seus ninhos para os colocar em gaiolas, devido ao seu magnífico canto e também à sua plumagem. Lembro-me também de aparecerem por lá uns finórios que os apanhavam com visco (ou visgo). Ao que parece, nos dias de hoje é uma espécie protegida pelo que é proibida a sua detenção.

sábado, 19 de março de 2011

Património histórico

Numa das muitas deambulações que costumo fazer pelas ruas da nossa terra, encontrei este magnífico pormenor. Nunca tinha visto o eixo de uma carroça a servir de padieira a uma porta. Tenho várias fotografias em que as padieiras são traves de madeira, agora com eixo só conheço esta. Curiosamente, se caminharmos com tempo e olharmos com calma, apercebemo-nos que a nossa terra é riquíssima em pequenos pormenores históricos, que nos ajudam a perceber melhor a realidade de outros tempos. E será com tempo, que terei imenso prazer em partilhar com todos, todo o património que fui recolhendo e os pormenores que mais me impressionaram

Lembro-me de ter falado com um conterrâneo, também interessado por coisas da aldeia, sobre este pormenor. E fiquei surpreendido quando me disse que havia muitos mais como este. Não o desmenti, pois eu só conheço este.
E lá continuamos a falar da riqueza do vasto património da nossa aldeia. À medida que íamos diversificando o tema do património, ele ia-me dizendo: "- Quem tem muito coisa sobre isso é fulano ..."; "-Quem sabe muito disso é sicrano ...". E por aí fora.
É óbvio que isso não me surpreendeu de todo. O que mais me surpreende é que não se queira partilhar, objectivo único e primordial deste espaço.
Agora que ultrapassamos as 10.000 visitas, até poderia ser altura de fazer um balanço, uma vez que a própria estatísca do blog permitiria tal coisa. Contudo, julgo que não será necessário, visto que os números falam por si. Se há pessoas interessadas em visitar-nos e se há vontade de partilhar, prossigamos.
Para concluir, e a meu ver, julgo que um património histórico que não é utilizado, é um património votado ao abandono.

domingo, 6 de março de 2011

Tempos idos ...


Há muito, muito tempo, na primeira vez que vi esta fotografia, fiquei logo maravilhado. Além de ter sido uma descoberta, é a única fotografia que tenho dos meus tempos da escola primária. Aliás, para já só ainda a tenho em formato digital, mas espero conseguir retocá-la, revelá-la, emoldurá-la e pendurá-la com muito carinho.

Quem me disse que a tinha foi o Paulo, e salvo erro, fomos de propósito a casa dele para a ver. Depois de lha solicitar por imensas vezes, a sua irmã Lucinda amável e graciosamente teve a boa vontade de ma enviar, ao que lhe agradeci e continuarei a agradecer eternamente.

Por esta altura, já era aluno da D. Camila, com quem fiz a 3ª e 4ª classe, pelo que a fotografia deverá ter 35 ou 36 anos. Contudo, atrever-me-ia a arriscar que terá sido na 4ª classe, pois foi ai que encontrei um colega da foto que teria reprovado esse ano.

É óbvio que ainda me lembro de muitos dos colegas da escola dessas classes, mas não consigo identificá-los a todos na foto. Além da falta de memória, também a qualidade da fotografia não permite tal. Ainda assim, vou atrever-me a dizer o nome de alguma rapaziada. Então:

- fila da direita: Constantino; eu; Mário; Raul; o loiro será um filho do Artur "Calão" e o alto lá no fundo, talvez o Bernardo;

- fila do meio: Paulo; Casimiro; Armando; Chiquinho "Pimenta"; um loiro irmão do outro ... e depois, não conheço mais ninguém;

- fila da esquerda: Chiquinho; Fátima; Casimiro; ... Marito (de colarinhos) e o penúltimo, o Fernando "Pingas";

- mais à esquerda, ainda se podem ver a Fátima "Perpétua", a Alice e dois ciganitos.

Para já, é esta a leitura possível da fotografia, espero vir a saber mais alguns nomes dos quais tenho dúvidas. Se, por ventura, alguém tenha conhecimento da foto ou se conseguir identificar mais alguém, agradeço que o faça.

À distância de todo este tempo, continuo a ter boas recordações dos tempos da minha escola primária. Guardo ainda muito vivas, boas e saudáveis memórias de todas essas vivências. Julgo que são esses os tempos em que somos (ou fomos) verdadeira e genuinamente felizes.

"A memória diminui ... se não for exercitada" Cícero

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Inauguração da capela de S. Sebastião

No passado dia 22 de Janeiro realizou-se a inauguração da capela do Mártir S. Sebastião.

Uma vez que não estive presente, limitar-me-ei a editar as fotografias que o conterrâneo e amigo Duarte me enviou.











Costumo dizer que tenho Santa Comba fotografada de lés-a-lés, não por fanfarronice, mas pela simples curiosidade que as coisas me despertam. E curiosamente, da meia dúzia de vezes que me desloquei ao Calvário para fotografar a capela, teria que haver sempre um carro plantado na sua frente.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Montaria aos Javalis

Aquilo que inicialmente parecia um motivo para os caçadores se juntarem e almoçarem em convívio, tornou-ne numa bela caçada. Contava-se que se aparecesse um já era bom, mas com três tornou-se melhor.

A exibição da caçada é inevitável e motivo de orgulho para os caçadores.

Na hora de encher o bandulho, não faltou uma boa dobrada, boa carne assada, vinho à farta e boa disposição.
Boas laranjas da Vilariça para sobremesa.

Outras.
Esta parte ainda sem sobremesa.
Chegada a hora do batismo, havia que benzer o caçador que matou o seu primeiro javali.
Para que ficasse bem batizado!
Com padrinhos destes ... mas ca lindos!!
No leilão, rematou-se uma das presas.
Já comidos, já bebidos e bem conversados, voltamos para esfolar os bichos.
Uns por um lado, outros por este, por todos foi rápido que se fez serviço.
Cabeça seleccionada para troféu da associação dos caçadores.
Matou, esfolou, estripou e depois bebeu ... merecidamente.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Hino de Santa Comba

Santa Comba é tão bonita
rodeadinha de olivais
Santa Comba é tão bonita
rodeadinha de olivais

Princesa da Vilariça
terra mais linda
que eu vi jamais

P'ra dar alegria aos ranchos
cantam rapazes e raparigas
P'ra dar alegria aos ranchos
cantam rapazes e raparigas

E vão-se mexendo varas
enchendo cestas
ao som das cantigas

De manhã, pelos caminhos
vêem-se ranchos de toda a povoação
De manhã, de manhãzinha
vêem-se ranchos de toda a povoação

Excepto cegos e mancos
a ceifa da azeitona
põe tudo em acção

Os seus olivais
no mês de Natal
oferecem paisagens
que não têm rival



Há tanto tempo que andava atrás do nosso hino que finalmente o arranjei.
Embora soubesse cantorolar alguns dos seus versos e o refrão, não o sabia da forma que aqui se apresenta. E pelo que percebi, ainda não será esta a versão integral. O que se arranjou é o resultado de um esforço colectivo, num serão em família durante este Natal.
Pelo que percebi também, e sem garantias, a autoria desta letra dever-se-á ao Zé Dobrões. Quanto a isso nada posso dizer, mas fosse quem fosse o seu autor, conseguiu de certa forma traduzir uma realidade que faz parte da vida das nossas gentes.
Sabendo que há por aí uns tocões, deixava-lhes aqui o desafio para arranjar a música do nosso hino, o qual depois de gravado poderia servir como música de fundo do blog.
Bá! Lá estou eu com ideias!

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Missa do Galo
Missa do galo é o nome dado nos países católicos à missa celebrada depois do jantar da véspera de Natal que começa à meia noite de 24 para 25 de Dezembro. Seu nome consagra a lenda segundo a qual à meia-noite do dia 24 de Dezembro um galo teria cantado, anunciando a vinda do Messias.
Bem, esta será a definição mais acertada da celebração deste acto litúrgico, cujo simbolismo nos toca a todos, consoante a fé de cada um.
Parece que ainda hoje gravo na memória a lição de uma classe, em que falava sobre a missa do galo, ilustrada com a imagem de uma mesa repleta das iguarias natalícias. Para mim, sempre foi essa a missa do galo, em que após a ceia da Consoada, iamos todos à missa, e tradicionalmente, as famílias regressavam a suas casas, onde o Menino Jesus teria deixado os prresentes e depois se compartilhava a Ceia de Natal fraternalmente. Fosse um par de meias ou um lenço das mãos, o significado desse presente tinha a imagem de Jesus em si, e não o fervoroso desembrulhar dos papéis coloridos agora deixados por aquele senhor de barbas brancas. Enfim, outros tempos.
Neste Natal, tentou-se (e conseguiu-se muito bem) recriar a cena do presépio ao vivo, com personagens de carne e osso, que sem qualquer esforço, encarnaram na perfeição o que lhes foi incumbido.

A igreja estava cheia de gente. Conterrâneos que, tal como eu, não quiseram perder a oportunidade de participar neste magnífico acontecimento carregado de tanto significado.

A Sagrada Família lá estava. Não era gruta nem estábulo, nem se sentiram sozinhos. Com o reconforto das palhas e aconchego de tanta companhia, ali por momentos pernoitaram e personificaram um maravilhoso presépio.

Designado por Deus para se casar com Maria, José ali esteve, ocupando o seu lugar sem vacilar.

E nas palhinhas deitado, Jesus, o Filho de Deus, torna-se a figura central desta divina noite.

A igreja estava bonita. Cheia de gente, luz e encanto.

Reis magos contemplativos.

A persignação de um pastor que, com o sinal da cruz, invoca o nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Há tanto tempo que não via um sarrão!

Com a casa cheia, o sacerdote e os seus acólitos espalharam ânimo do altar abaixo.

Chegada a hora do ofertório, todos os presentes recebidos foram consagrados.

"Eis o cordeiro de Deus ( Agnus Dei). Aquele que tira o pecado do mundo." (João, 1:29)

Não se beijou o Menino nesta noite. Que cada um o tenha sentido da maneira que melhor Ele lhe tivesse tocado. A mim tocou-me.

Não consegui resistir ...