salta-rostos

Provavelmente já todos nós vimos destes bicharocos em nossas casas, principalmente agora no tempo do calor que é a altura em que eles mais aparecem. Antes de mais, agradeço ao nosso conterrâneo Manuel Vilares (também ele seródio) o envio das fotos, pois já tinhamos conversado sobre este assunto e daí ter surgido a ideia deste post.
A pesquisa na web, enquanto salta-rostos, não nos fornece grande informação, mas se procurarmos por osga, o seu verdadeiro nome, aí sim, ficamos a saber muito sobre este animal e algumas das suas características. E, curiosamente, ao contrário do que se pensa, a maioria das pessoas, eu inclusive, têm uma ideia errada deste útil bichinho, chegando a ter-lhe nojo e até algum receio. A minha pesquisa sobre o salta-rostos resultou nisto:
salta-rostos (o m.q. osga): nome científico - tarentola mauritanica; animal de tamanho moderado, atingindo em média um comprimento de 8,5 cm; aspecto aplanado, com uma grande cabeça bem destacada do corpo, olhos grandes e redondos; abundante no centro e sul do país, sendo muito rara no Norte; vive em zonas rochosas ou pedregosas, e também em zonas urbanas e rurais, onde aparece principalmente em muros, habitações velhas ou troncos apodrecidos; hiberna no tempo frio e no Verão só aparece de noite para evitar as horas de mais calor; a alimentação é feita à base de formigas, aranhas, escaravelhos, moscas e mosquitos; gosta de estar perto dos candeeiros à espera dos insectos que são atraídos pela luz; reproduz duas vezes por ano; a deposição dos ovos é feita em grupo, aparecendo no mesmo local ovos de fêmeas diferentes.
Além desta informação enciclopédica, muitas mais coisas se poderão encontrar, as quais nos ajudarão a conhecer melhor o comportamento do salta-rostos e a desmistificar as lendárias e erradas ideias que as pessoas têm dele, tais como dizer que contêm substâncias venenosas e peçonhentas (cocho) que poderão provocar irritações na pele ou até envenenar a água caso caiam dentro dos recipientes. A bem da verdade, convenhamos que o bicho nada tem de atractivo e a maior parte de nós gostamos de os ver bem longe, ou até nem os ver, mas o facto é que , os salta-rostos não são venenosos e até são muito benéficos.
Numa outra pesquisa, foi permitido saber que, José Louro, biólogo formado pela FCUL e a leccionar em Oxford, trabalha diariamente desde 1990 com répteis, esclarece que nenhuma espécie de osga (em Portugal só existem duas espécies) poderá causar qualquer problema a quem agarrar uma, pois são completamente inofensivas e são criaturas benéficas, pois eliminam, entre outros insectos, alguns prejudiciais, como os mosquitos.
Posto isto, e porque não se trata de apresentar aqui uma campanha para a preservação da espécie, mas visto não ser um animal venenoso nem perigoso, já temos motivos para não os matar, pois podem ser-nos muito úteis para eliminar outra bicharada que tanto nos incomóda. E ainda por cima estes das fotos que são nossos conterrâneos, nascidos, criados e residentes em Santa Comba.
A minha relação com os salta-rostos? Bem, já matei alguns, mas agora tenho sido mais tolerante. Lá em casa andava um, aparecia na parte de fora do vidro sempre que estava a luz de dentro acesa. Este ano ainda não o vi, mas já alguém se queixou da abundância de mosquitos (pois os putos aparecem todos picados) e atribui esse facto à ausência do salta-rostos. Não sei.
Histórias com salta-rostos? Cresci numa casa velha onde os pobres dos bichos não tinham a mínima hipótese: primeiro, eram abatidos à vassourada e depois de atordoados no chão eram esborraçados com as tenazes. Contudo, uma vez acordei com um, do tamanho do dedo mínimo, debaixo de mim. Outra vez, ao pegar num bloco, subiu-me um pelo braço acima e dei um salto eu e o bloco; e numa outra, um primo meu pegou na pressão d'ar e começou aos tiros a um dentro da sala, onde ainda hoje se podem ver as marcas dos chumbos.
Agora, porque lhe chamam salta-rostos? Sinceramente não sei! Será porque saltam para a cara das pessoas? Não tenho conhecimento disso. Se houver alguém que saiba, diga.