




Amarela. cordão e borlas de ouro azul. Haste e lança de ouro.
Selo

Não faço ideia quem tenha sido o mentor do nosso brasão, mas vá lá que não se esqueceu de incluir dois aspectos de relevante importância relativos à nossa aldeia: a Chaminé do Ochoa e a cultura da azeitona.
Agora, o que eu nunca percebi, é porque continuam a chamar à nossa aldeia, Santa Comba de Vilariça. Mas de porquê? Os iluminados da administração pública lá da capital, deveriam sair do conforto do ar condicionado dos seus estofados gabinetes e vir cá cima ver, e ouvir, se alguém chama assim à nossa terra. Na volta nem sabem que se situa em pleno Vale da Vilariça!
E já agora, que venham cá por esta altura, para o "estorrer" do sol lhes marcar na moleirinha de uma vez por todas. Certamente jamais se esqueceriam.
INAUGURAÇÃO DO ABASTECIMENTO DE ÁGUA EM SANTA COMBA
(conclusão)
"Finda a cerimónia realizou-se uma sessão solene, sob a presidência do sr. Governador Civil, que convidou para fazerem parte da mesa as entidades já referidas, as professoras, o dr. José Miranda, médico do partido de Santa Comba e Guilherme Miller Guerra, tendo usado em primeiro lugar da palavra o sr. presidente da Camara que começou por agradecer a presença do ilustre magistrado do distrito a quem o concelho de Vila Flor e a Camara da sua presidência muito devem , pondo em relevo os melhoramentos que a ridente povoação de Santa Comba tem recebido do Estado Novo.
No momento em que estava a captar esta foto, a minha professora primária, não me conhecendo de imediato, veio ter comigo dizendo que não via utilidade em fazer o registo de algo sobre o qual não se conhece nenhuma utilidade. Divagando um pouco sobre o assunto, lá concluimos que, realmente, de pouco serve um tanque sem água e que, o dinheiro que se ali gastou poderia ter sido aproveitado para outras coisas. Ainda acrescentou que, se o tanque não faz falta nenhuma, ao que parece a água faz, pois segundo disse, já por várias vezes forneceu água aos feirantes da festa e a circos que por ali passaram.
Ao que me parece, já nada é como era. Este tanque, ou lá o que é, se pretendia manter a ideia de haver um tanque nas Eiras, jamais o conseguirá, pois as saudades do verdadeiro Tanque das Eiras não permitirão tal ousadia. Tenho tentado, em vão, encontrar uma fotografia desse tanque e até hoje ainda não tive sorte. Quanto à qualidade da água, se crescemos a ouvir dizer que, quem bebesse a água da nossa terra nunca mais de lá saía, o mesmo já não acontece nos nossos dias.
"O programa das festas foi o seguinte: Chegada às 17 horas e meia, sendo o sr. Governador Civil aguardado à entrada da povoação pela Junta de Freguesia, regedor, dr. Aleixo Guerra e Graciano Monteiro, importantes proprietários naquela localidade, que do Pôrto, onde residem, vieram expressamente para assistir àquele acto; centenas de pessoas acompanhadas da Filarmónica Vilaflorense da regencia do mestre Freitas.
Em seguida, o sr. Governador Civil, acompanhado das entidades oficiais, dirigiu-se às nascentes e depois à Igreja Matriz, onde foi celebrada pelo vigário reverendo João Lopes, missa cantada, acompanhada por um grupo de meninas de Santa Comba.
Finda a cerimónia religiosa organizou-se o cortejo em direcção ao Largo das Escolas. Tomaram parte as autoridades, o reverendo pároco, paramentado, que acompanhava a Cruz, as crianças das escolas com os respectivos professores, Filarmónica Vilaflorense, a Tuna da Casa do Povo de Valfrechoso com bandeira e milhares de pessoas de Santa Comba e povoações circunvizinhas deste concelho e do vizinho de Alfândega da Fé. Naquele local procedeu o rev. pároco à benção dum dos 7 marcos fontenários distribuídos pela povoação, e em seguida do lavadouro publico, que tem 12 torneiras que abastecem igual número de lavadouros; tanto este como aquele encontravam-se ricamente ornamentados e fechados com laços de fita que foram cortadas pelo sr. Governador Civil, ouvindo-se nessa altura numerosas palmas e "vivas" ao Estado Novo e seus Chefes."
in, Diário da Manhã, 20-06-1939
(continua)
Pelo que se pode ser nesta foto, poder-se-á calcular a monumentalidade do moinho e a grandeza do cubo, visto que na foto anterior, a parte do cubo que se vê, ainda é por cima da parede.
Pela sua enorme estrutura, terá sido um engenho com grande actividade.
É óbvio que sem a ajuda do Zé Bernardo teriamos levado mais tempo a encontrar o moinho.
Sabendo da nossa intenção, logo se prontificou para nos acompanhar na descoberta.
E ficou tão entusiasmado como nós!
Numa fotografia que ainda não vai aqui, poder-se-á ver mais tarde, uma das paredes do moinho
.Aliás, uma parede "esborralhada" por alguma trovoada.
Esta é a saída por onde a força da água fazia mover o moinho. Não o parecendo, é muito maior do que parece.
O meu avô lembrava-se deste moinho trabalhar. Também por isso, a minha curiosidade aumentou.
E desde já, acho que é um belíssimo passeio.
O sr. Governador Civil de Bragança inaugurou, solenemente, o abastecimento de água da freguesia de Santa Comba da Vilariça
Realizou-se esta semana a inauguração do abastecimento de águas à freguesia de Santa Comba da Vilariça. Por esse motivo, aquela ridente povoação esteve em festa por ver realizada uma das suas maiores aspirações de há longos anos - melhoramento que fica devendo ao Estado Novo e à Câmara da presidência do nosso presado amigo sr.dr. Francisco Guerra.
Para assistir à inauguração daquele importante serviço público, veio de Bragança o ilustre Governador Civil do Distrito, sr. capitão Salvador Nunes, e desta vila foram o presidente e vogais da Câmara Municipal srs. dr. Francisco Guerra, Manuel Afonso Barrôco e António Benedito Fontes, bem como o delegado policial e presidente substituto da Câmara sr. António Manuel Assis, assim como outras individualidades.
Santa Comba da Vilariça acolheu os visitantes com fidalguia e carinho apresentando-se adornada de flores arcos e colgaduras, que lhe davam um aspecto encantador.
(continua)
in, Diário da Manhã, 20-06-1939
Nota: A fotografia representa o marco da Portela. O original desta fotografia encontra-se no Fundo Local do Museu de Vila Flor, no entanto a cópia aqui representada foi retirada do blog amigo descobrir vila flor.
Celebração da Ressurreição do Senhor
Iniciou-se então a celebração com a benção do fogo, um fogo puro, comunicado depois ao círio, um dos grandes sinais litúrgicos desta noite, em que o cristão celebra Aquele que diz“Eu sou a luz do Mundo; o que me segue não anda nas Trevas mas terá a Luz da Vida” (Jo.8,12). Todos aqueles que acompanharam as celebrações.
O nosso adro, sempre resplandecente.
Apesar do frio, o Alberto estoicamente resistiu e empenhou-se naquilo que ele realmente gosta de fazer: tocar o sino como ninguém.
Dá-se então início à procissão...
... seguindo o seu curso calçada acima.
E no Terreiro, prepara-se a subida do Cais.
E foi assim que se cumpriu a tradição cristã da Ressurreição do Senhor, com grande adesão por parte dos nossos fiéis conterrâneos.
"A contemplação do rosto de Cristo não se pode reduzir à sua imagem de crucificado. Ele é o Ressuscitado!" João Paulo II
Como é tradição, todos os anos, de 30 de Abril para 1 de Maio, as pessoas colocam à porta ou à janela de suas casas estes ramalhetes de giestas floridas, também conhecidas por "maias", talvez por florirem em Maio.
Este costume encontra-se ligado a ritos de fertilidade, do início da Primavera e do novo ano agrícola, assim como também serve para afastar o mau-olhado, a fome e as bruxas.

Suponho que é essa a leitura que se pode fazer da data inscrita nesta padieira.
Como diria um amigo meu "para encontrar, é preciso andar distraído".
Obviamente, que esta é uma data que se percebe bem quem por lá passa. No entanto, existem na nossa aldeia muitas outras datas mais discretas que esta e que, para as encontrar, teremos que olhar com alguma atenção para as descobrir.
Pelas deambulações que vou fazendo pela aldeia, e "balongueiro" como sou, lá vou encontrando algumas datas em diversos sítios. E após ter recolhido umas dezenas delas, lembrei-me de que seria um interessante exercício de memória, propor aos nossos conterrâneos que as tentem identificar.
Aqui fica o desafio ...
Como é hábito, por alturas da Páscoa, costumam-se arejar as casas, dar uma arrumadela e pôr as coisas na ordem.
Após ter feito isso aqui neste cantinho, devo admitir que, por distração ou por outro motivo qualquer, houveram coisas que me escaparam e às quais deveria ter dado importância.
Por isso, cumpre-me editar aqui um comentário enviado pela nossa conterrânea Nanda, feito no post (artigo) de 28 de Junho de 2008 "Escola Primária de Santa Comba". Vou introduzir o texto na íntegra, tal qual se encontra nesse comentário.
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"De entre os emigrantes brasileiros que haviam regressado com fortuna, e que por lá aprenderam a dar valor à instrução, contam-se dois: António Maria da Costa e Manuel António Azevedo, cuja memória ainda hoje está bem viva na tradição oral das terras que receberam os seus legados.
Pelo montante destaca-se o legado de Manuel António de Azevedo, natural da aldeia de Roios, concelho de Vila Flor, falecido em 27 de Março de 1893, na cidade do Porto. Os seus testamenteiros ficaram com a obrigação de mandar construir uma escola feminina, em Vila Flor, e duas escolas, em Santa Comba da Vilariça, para no final as entregarem às respectivas juntas de paróquia. Eram, conforme as plantas, arquivadas no IAN/TT43, construções que respeitavam as normas pedagógicas e higiénicas em vigor: espaçosas, arejadas e iluminadas.
O edifício escolar de Santa Comba da Vilariça foi construído em terreno adquirido a um particular, pelo valor de 409$400 reis. Como era destinado para os dois sexos, tinha duas salas de aulas com uma habitação para o respectivo/a professor/a, como mostra a planta apresentada de seguida:
(Não chegou a imagem da planta com a seguinte legenda: Figura 2 - Planta da casa da escola do sexo masculino e feminino de Santa Comba da Vilariça 1893)
As escolas, mandadas construir com o legado de António Manuel de Azevedo, tinham todas as condições para serem construções sólidas e robustas.
Prova do que acabámos de afirmar é a escola, mandada construir para os dois sexos, em Santa Comba da Vilariça, que com mais de mais de um século de existência, ainda hoje se encontra em razoável estado de conservação, como mostra a forografia, que reproduzimos a seguir, continuando a cumprir os desígnios da sua criação" (Também não chegou fotografia nenhuma).
Peço desculpa à Nanda por só agora vir ao de cima este seu interessantíssimo comentário, no entanto, se quiser enviar a planta e a foto que lhes são relacionados, com todo o gosto as colocarei aqui.

A sua nova construção, agora incluída na aldeia, datada de 1740, coincide com a transferência e reedificação da igreja paroquial, o que significa uma aproximação para junto do aglomerado populacional e o abandono da velha localização. Para a sua construção, o Mosteiro despendeu 27.200 reis na compra de um leira, um palheiro, uma casa de forno, uma eira e três bocados de terra e sempre assumiu todas as despesas com as reparações e concertos efectuados do lagar."
O texto que se segue vai ser editado tal e qual como o recebi.
"A partir de agora está disponível a plataforma autarquias.org. Com o autarquias.org os cidadãos podem alertar os municípios para as mais variadas situações, desde de lixos na via pública, postes de iluminação que não o funcionam, buracos na via pública, equipamento danificado, problemas nos abastecimentos, ou outros tipos de problemas, que muitas das vezes as Câmaras Municipais não tem conhecimento. Os cidadãos podem acompanhar as respostas das autarquias aos alertas apresentados por outros cidadãos, como também participarem nesses mesmos alertas adicionando comentários. O autarquias.org permite também a criação de debates por cidadãos que pretendem discutir assuntos que lhes pareçam pertinentes com outros cidadãos e com o próprio município ou questionar a autarquia sobre um assunto do interesse de todo o município., como também a abertura de petições. Participe neste projecto."
Posto isto, ao dar uma olhadela por lá, conclui-se que é um sítio onde se pretende "transparência, participação e colaboração". Assim sendo, todos podemos participar e colaborar de forma transparente. Com um pequeno gesto, poderemos conseguir demonstrar responsabilidade no contexto social, fazendo a nossa parte, contribuindo para o crescimento do nosso colectivo.
O nosso conterrâneo piãozão enviou algumas fotos do arraial da nossa festa, para que possamos ter uma ideia da sua grandiosidade.
A botelha-menina enviou-me duas fotos da procissão em que me apanhou com a bandeira do Santo António nas mãos. Já há muito que não me metia nestas andanças porque as costas já vão dando sinal de si, mas acontece que, este ano, surgiu o convite para ajudar a levar esta bandeira e como não sou pessoa de recusar, aceitei de muito bom grado.
Apesar de possuir algumas fotos das bandeiras, não sei ao certo quantas são nem que santos representam. Como a única maneira de as ver é estando armadas para a procissão, nas fotografias ficam sobrepostas porque estão encostadas umas sobre as outras. Ainda hei-de perguntar ao nosso dedicado sacristão, de certeza que saberá quais as suas imagens e talvez a sua origem, quem as tenha doado ou oferecido.
A propósito, julgo que a nossa igreja é riquíssima, não só a nível de santos, mas também bandeiras e ainda de paramentos, ou seja, as vestes com que o sacerdote celebra as missas ou outras cerimónias religiosas. Certa vez, talvez também por alturas da festa, o Alberto mostrou-nos, a mim e a outras pessoas, os antiquíssimos paramentos que repousam nos gavetões da sacristia. Por mim, até que seria interessante fazer uma exposição com todas essas vestes, para mostrar ao povo coisas que, se calhar, nunca foram vistas. É uma ideia.
No início desta descida, junto da casa da Ti Maria de Lurdes, quando com vento, temos que ser firmes e deitar-lhe bem as mãos. Para sorte minha até que estava sossegado.
Apesar da bandeira do Sagrado Coração de Jesus ser a maior, dizem que esta é a mais pesada, devido à espessura do seu tecido. Quanto a isso, não posso afirmar, mas também me parece que assim seja. Seja como for, de uma maneira ou de outra, haveremos de contribuir para que, tanto as nossas bandeiras como os andores, não fiquem na igreja por falta de quem lhe pegue. Tenho a certeza que todos nós ficavamos a perder, pois não disfrutaríamos deste magnífico desfile de tanta fé, beleza e emoção.
Procissão em honra de S. Bernardo
O interior da nossa bonita igreja, pouco antes de começar a missa, com os andores primorosamente enfeitados. Tirei ainda fotografias individuais a cada um deles, onde se pode constatar que as respectivas mordomas não deixam o trabalho por mãos alheias, empenhando-se afincadamente na sua decoração, deixando-os com uma magnífica apresentação.
De seguida, segue-se a entrada dos andores na igreja. Escolhi este ângulo, porque me pareceu o mais adequado para captar a imponência dos nossos andores e o esforço em recolhê-los, fazendo-os regressar à igreja.
A nossa Santa Comba. Pelo que já li, esta santa tem uma história muito interessante que a muitos de nós diz respeito, mas ficará para mais tarde quando a puder apresentar com sólidas argumentações.