segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Sobre a memória dos cheiros
O olfacto é um dos sentidos mais primitivos no homem, e estarmos atentos aos cheiros é uma reacção primitiva e instintiva de nos apropriarmos e relacionarmos com o que nos rodeia.
Definitivamente, o olfacto não é o meu melhor sentido, mas guardo na memória imensos cheiros que evocam outras tantas recordações.
Enquanto que poderemos confundir um som ou esquecer-nos de uma imagem, há quem diga que a memória dos cheiros é infinita. As pessoas ao cheirarem algo, a sua memória irá guardar esse aroma para sempre e jamais se esquecerá dele, guardando na memória as suas características assim como as lembranças com eles relacionadas, remetendo para os momentos em que foram vividos.
Os aromas não entram só pelo nariz. Alguns deles fixam-se na lembrança para sempre e tocam directamente ao coração, estabelecendo uma ligação profunda com a nossa parte emocional.



Apesar de muitas vezes distante, são também muitas vezes os cheiros que me mantem presente.
Desde quase sempre, quando ia à aldeia de férias, eram sempre os cheiros que me propocionavam a melhor recepção de boas-vindas. E das alturas que gostava mais era no Inverno.
Nessas alturas, destas e doutras chaminés e chupões, naquelas noites sossegadas em que o fumo pairava sobre a aldeia, conseguia ir buscar o cheiro da lenha ardida nas lareiras e dos peguilhos que lá se encontravam a assar. Sinto saudades desses cheiros e desses tempos!
Como de outros aromas que já não cheiro há muito tempo, mas que estão tão vivos como outrora e que tantas boas recordações muitas vezes me oferecem: o cheiro da cevada acabada de segar; o cheiro do Sebastião que tantas vezes toquei pela rédea ou o cheiro fresco da terra molhada.


Eu sabia da existência deste tipo de chaminés de telha, mas esta descobri-a por acaso ao deambular pela aldeia. Nada mais simples do que duas telhas ao alto e encostadas, onde o engenho aguçado pela necessidade permitia que o fumo lá se esgueirasse por tão singela saída.
Agora continuo a estar distante, mas os cheiros da aldeia já pouco me atraem, antes pelo contrário.
Ainda ontem, quando à noite, em família tentavamos passar uns momentos à fresca em amena cavaqueira, eis que surge de repente, tocado pelos ventos de Benlhevai pela fragada abaixo, aquele aroma pestilento e nauseabundo que tira logo a boa disposição à gente.
Se no Inverno ainda se tolera pelo recolhimento a que somos obrigados por via do frio, agora no Verão em que as casas estão insuportavelmente quentes, não se pode estar na rua de maneira nenhuma.
E então não se faz nada? Vamos deixar a continuar a sermos incomodados pelo mau estar daquele cheiro pestífero? Julgo que se trata de uma questão de saúde pública.
Relembro que poderemos usar o site http://www.autarquias.org/ para não nos deixarmos apascentar por algo que nos perturba.


"O perfume permanece como a forma mais tenaz da memória"
Marcel Proust

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Heráldica
Brasão


Escudo de azul, chaminé . Coroa mural de pratade ouro, acompanhadanos flancos de um ramos de três galhos de oliveira, de prata, frutados de ouro; em campanha duas géminas ondadas de prata de três torres. Listel branco, com a legenda a negro: "SANTA COMBA de VILARIÇA".

Bandeira

Amarela. cordão e borlas de ouro azul. Haste e lança de ouro.

Selo


Nos termos da Lei, com a legenda: "Junta de Freguesia de Santa Comba de Vilariça - Vila Flor".


Fonte: http://portugal.veraki.pt/freguesias/heraldicaf

Não faço ideia quem tenha sido o mentor do nosso brasão, mas vá lá que não se esqueceu de incluir dois aspectos de relevante importância relativos à nossa aldeia: a Chaminé do Ochoa e a cultura da azeitona.

Agora, o que eu nunca percebi, é porque continuam a chamar à nossa aldeia, Santa Comba de Vilariça. Mas de porquê? Os iluminados da administração pública lá da capital, deveriam sair do conforto do ar condicionado dos seus estofados gabinetes e vir cá cima ver, e ouvir, se alguém chama assim à nossa terra. Na volta nem sabem que se situa em pleno Vale da Vilariça!

E já agora, que venham cá por esta altura, para o "estorrer" do sol lhes marcar na moleirinha de uma vez por todas. Certamente jamais se esqueceriam.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

INAUGURAÇÃO DO ABASTECIMENTO DE ÁGUA EM SANTA COMBA

(conclusão)


"Finda a cerimónia realizou-se uma sessão solene, sob a presidência do sr. Governador Civil, que convidou para fazerem parte da mesa as entidades já referidas, as professoras, o dr. José Miranda, médico do partido de Santa Comba e Guilherme Miller Guerra, tendo usado em primeiro lugar da palavra o sr. presidente da Camara que começou por agradecer a presença do ilustre magistrado do distrito a quem o concelho de Vila Flor e a Camara da sua presidência muito devem , pondo em relevo os melhoramentos que a ridente povoação de Santa Comba tem recebido do Estado Novo.

Foi em seguida dada a palavra à professora oficial D. Carolina Josefa Pinto de Figueiredo, cujo discurso calou fundo na numerosa assistência, e ao menino Guilhermino, aluno da 4ª classe em nome da sua professora sr.ª D. Laura Pinto de Almeida, que se encontra ainda convalescente de uma prolongada doença.
Fechou a série de discursos o sr. Governador Civil que proferiu uma oração cheia de vibração nacionalista e católica, exaltando com eloquência a obra eminentemente patriótica de Salazar e do venerando Presidente da Republica. No final, foram vitoriados entusiasticamente o Estado Novo, Carmona, Salazar e o Governador Civil de Bragança.
Finalmente na esplêndida casa de habitação do sr. dr. Aleixo Guerra, foi servido um primoroso "Pôrto de Honra", que deu pretexto para serem trocados amistosos brindes."


No momento em que estava a captar esta foto, a minha professora primária, não me conhecendo de imediato, veio ter comigo dizendo que não via utilidade em fazer o registo de algo sobre o qual não se conhece nenhuma utilidade. Divagando um pouco sobre o assunto, lá concluimos que, realmente, de pouco serve um tanque sem água e que, o dinheiro que se ali gastou poderia ter sido aproveitado para outras coisas. Ainda acrescentou que, se o tanque não faz falta nenhuma, ao que parece a água faz, pois segundo disse, já por várias vezes forneceu água aos feirantes da festa e a circos que por ali passaram.

Ao que me parece, já nada é como era. Este tanque, ou lá o que é, se pretendia manter a ideia de haver um tanque nas Eiras, jamais o conseguirá, pois as saudades do verdadeiro Tanque das Eiras não permitirão tal ousadia. Tenho tentado, em vão, encontrar uma fotografia desse tanque e até hoje ainda não tive sorte. Quanto à qualidade da água, se crescemos a ouvir dizer que, quem bebesse a água da nossa terra nunca mais de lá saía, o mesmo já não acontece nos nossos dias.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

COLÓQUIO


"Potencial das estruturas de transporte no desenvolvimento regional"

16 de Julho de 2010 (sexta-feira) pelas 10:00 horas

Auditório do Centro Cultural de Vila flor

1726


Aqui fica mais um desafio para quem quiser localizar esta data.

terça-feira, 13 de julho de 2010

INAUGURAÇÃO DO ABASTECIMENTO DE ÁGUA EM SANTA COMBA

(continuação)

"O programa das festas foi o seguinte: Chegada às 17 horas e meia, sendo o sr. Governador Civil aguardado à entrada da povoação pela Junta de Freguesia, regedor, dr. Aleixo Guerra e Graciano Monteiro, importantes proprietários naquela localidade, que do Pôrto, onde residem, vieram expressamente para assistir àquele acto; centenas de pessoas acompanhadas da Filarmónica Vilaflorense da regencia do mestre Freitas.

Em seguida, o sr. Governador Civil, acompanhado das entidades oficiais, dirigiu-se às nascentes e depois à Igreja Matriz, onde foi celebrada pelo vigário reverendo João Lopes, missa cantada, acompanhada por um grupo de meninas de Santa Comba.

Finda a cerimónia religiosa organizou-se o cortejo em direcção ao Largo das Escolas. Tomaram parte as autoridades, o reverendo pároco, paramentado, que acompanhava a Cruz, as crianças das escolas com os respectivos professores, Filarmónica Vilaflorense, a Tuna da Casa do Povo de Valfrechoso com bandeira e milhares de pessoas de Santa Comba e povoações circunvizinhas deste concelho e do vizinho de Alfândega da Fé. Naquele local procedeu o rev. pároco à benção dum dos 7 marcos fontenários distribuídos pela povoação, e em seguida do lavadouro publico, que tem 12 torneiras que abastecem igual número de lavadouros; tanto este como aquele encontravam-se ricamente ornamentados e fechados com laços de fita que foram cortadas pelo sr. Governador Civil, ouvindo-se nessa altura numerosas palmas e "vivas" ao Estado Novo e seus Chefes."

in, Diário da Manhã, 20-06-1939

(continua)

sábado, 19 de junho de 2010

Moinho da Ferradosa ... noutro dia.

Era certo e sabido que, depois de saber da localização exacta do moinho, teria que lá voltar. E assim foi. Aproveintando um ameno dia de Fevereiro, e porque a vegetação estaria mais verde e macia, eu e a Sofia, armados de tesoura da poda e de pedoa, lá fomos desbravar o que impedia uma visão mais abrangente do que resta do moinho da Ferradosa

Pela sua localização, é óbvio que este moinho se encontrava bem adapatado ao regime torrencial do ribeiro da Ferradosa, um ribeiro de montanha de apressada e abundante corrente.
A captação da corrente de água localizava-se muito mais acima do moinho, sendo depois canalizada pela levada que transportava a água até aqui, ao bocal do cubo.
O cubo era constituído por enormes rodelas de granito, sobrepostas e escavandas no meio formando um anel.

Pelo que se pode ser nesta foto, poder-se-á calcular a monumentalidade do moinho e a grandeza do cubo, visto que na foto anterior, a parte do cubo que se vê, ainda é por cima da parede.

A seteira, parte final do cubo, tem dois oríficios, quando regra geral só tem um. Sem dúvida que este pormenor significaria que este moinho, além de fornecido por abundante caudal seria uma estrutura de grande produção.
Depois de algum esforço e paciência, lá conseguimos por aquilo tudo limpinho.
É pena que não se faça um percurso pedestre que esteja permanentemente limpo para quem gosta de usufruir da natureza e de apreciar vestígios de outros tempos.


Ainda tentamos esgravatar e limpar a caleira da levada, também escavada na rocha, mas obviamente o tempo não dá para tudo. Ficará para uma próxima oportunidade.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Moinho da Ferradosa


Nós sabiamos que era por ali.
Numa manhã de um acostumado dia quente de Agosto, o Paulo e eu tinhamos finalmente encontrado o moinho da Ferradosa

Por tanta vez que passei por ali à caça, nunca o tinha visto. Não se vê!
Ensombrado por todas aquelas árvores, ele lá está. Parado. Cansado de tanto moer.

Pela sua enorme estrutura, terá sido um engenho com grande actividade.

E se era assim tão grande, teria que ser servido por uma significante corrente de água.
Acho que ouvi dizer que o ribeiro da Ferradosa nunca seca.
É capaz que não corra, mas pelo que vou vendo, ao longo do seu curso vão-se encontrando poças de água e muitas zonas húmidas.


É óbvio que sem a ajuda do Zé Bernardo teriamos levado mais tempo a encontrar o moinho.

Sabendo da nossa intenção, logo se prontificou para nos acompanhar na descoberta.

E ficou tão entusiasmado como nós!


Numa fotografia que ainda não vai aqui, poder-se-á ver mais tarde, uma das paredes do moinho
.Aliás, uma parede "esborralhada" por alguma trovoada.

Esta é a saída por onde a força da água fazia mover o moinho. Não o parecendo, é muito maior do que parece.

O meu avô lembrava-se deste moinho trabalhar. Também por isso, a minha curiosidade aumentou.

E desde já, acho que é um belíssimo passeio.

domingo, 9 de maio de 2010


INAUGURAÇÃO DO ABASTECIMENTO DE ÁGUA EM SANTA COMBA



O sr. Governador Civil de Bragança inaugurou, solenemente, o abastecimento de água da freguesia de Santa Comba da Vilariça

Realizou-se esta semana a inauguração do abastecimento de águas à freguesia de Santa Comba da Vilariça. Por esse motivo, aquela ridente povoação esteve em festa por ver realizada uma das suas maiores aspirações de há longos anos - melhoramento que fica devendo ao Estado Novo e à Câmara da presidência do nosso presado amigo sr.dr. Francisco Guerra.

Para assistir à inauguração daquele importante serviço público, veio de Bragança o ilustre Governador Civil do Distrito, sr. capitão Salvador Nunes, e desta vila foram o presidente e vogais da Câmara Municipal srs. dr. Francisco Guerra, Manuel Afonso Barrôco e António Benedito Fontes, bem como o delegado policial e presidente substituto da Câmara sr. António Manuel Assis, assim como outras individualidades.

Santa Comba da Vilariça acolheu os visitantes com fidalguia e carinho apresentando-se adornada de flores arcos e colgaduras, que lhe davam um aspecto encantador.

(continua)

in, Diário da Manhã, 20-06-1939

Nota: A fotografia representa o marco da Portela. O original desta fotografia encontra-se no Fundo Local do Museu de Vila Flor, no entanto a cópia aqui representada foi retirada do blog amigo descobrir vila flor.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Celebração da Ressurreição do Senhor

Mais uma vez se juntou o nosso povo e saiu à rua para, juntamente com a voz da Igreja proclamar e celebrar a Ressurreição do Senhor. No mês de Abril celebra-se a Páscoa e com ela o maior anúncio, a notícia melhor, a novidade eterna: Jesus vive e está entre nós!

A noite estava realmente fria. E enquanto se aguardava a chegada do pároco, os nossos conterrâneos não deixaram desperdiçar algum calor que emanava daquela pequena fogueira.

Iniciou-se então a celebração com a benção do fogo, um fogo puro, comunicado depois ao círio, um dos grandes sinais litúrgicos desta noite, em que o cristão celebra Aquele que diz“Eu sou a luz do Mundo; o que me segue não anda nas Trevas mas terá a Luz da Vida” (Jo.8,12).

Todos aqueles que acompanharam as celebrações.

O nosso adro, sempre resplandecente.

Apesar do frio, o Alberto estoicamente resistiu e empenhou-se naquilo que ele realmente gosta de fazer: tocar o sino como ninguém.

Dá-se então início à procissão...

... seguindo o seu curso calçada acima.

E no Terreiro, prepara-se a subida do Cais.

E foi assim que se cumpriu a tradição cristã da Ressurreição do Senhor, com grande adesão por parte dos nossos fiéis conterrâneos.

"A contemplação do rosto de Cristo não se pode reduzir à sua imagem de crucificado. Ele é o Ressuscitado!" João Paulo II

domingo, 2 de maio de 2010

As "maias"


Como é tradição, todos os anos, de 30 de Abril para 1 de Maio, as pessoas colocam à porta ou à janela de suas casas estes ramalhetes de giestas floridas, também conhecidas por "maias", talvez por florirem em Maio.

Este costume encontra-se ligado a ritos de fertilidade, do início da Primavera e do novo ano agrícola, assim como também serve para afastar o mau-olhado, a fome e as bruxas.

Se tem o seu efeito ou não, não sei. O facto é que toda a gente enfeita as suas entradas com estes ramos ... não vá a desgraça cair-lhes em casa.

Casa da Dona Angelina

E pronto!
Está resolvido o desafio. A nossa conterrânea cantoneira, facilmente identificou a data como pertencente à casa da Dona Angelina.
Casa de construção simples. No entanto, para a época, a extremidade superior da esquina da casa (escapa-me agora o nome apropriado) já denota algum trabalho e provavelmente pertenceria a alguém mais abastado. Suponho.


quinta-feira, 29 de abril de 2010

Ano de 1750



Suponho que é essa a leitura que se pode fazer da data inscrita nesta padieira.

Como diria um amigo meu "para encontrar, é preciso andar distraído".

Obviamente, que esta é uma data que se percebe bem quem por lá passa. No entanto, existem na nossa aldeia muitas outras datas mais discretas que esta e que, para as encontrar, teremos que olhar com alguma atenção para as descobrir.

Pelas deambulações que vou fazendo pela aldeia, e "balongueiro" como sou, lá vou encontrando algumas datas em diversos sítios. E após ter recolhido umas dezenas delas, lembrei-me de que seria um interessante exercício de memória, propor aos nossos conterrâneos que as tentem identificar.

Aqui fica o desafio ...

sábado, 27 de março de 2010

A nossa escola, de novo ...

Como é hábito, por alturas da Páscoa, costumam-se arejar as casas, dar uma arrumadela e pôr as coisas na ordem.

Após ter feito isso aqui neste cantinho, devo admitir que, por distração ou por outro motivo qualquer, houveram coisas que me escaparam e às quais deveria ter dado importância.

Por isso, cumpre-me editar aqui um comentário enviado pela nossa conterrânea Nanda, feito no post (artigo) de 28 de Junho de 2008 "Escola Primária de Santa Comba". Vou introduzir o texto na íntegra, tal qual se encontra nesse comentário.
.

"De entre os emigrantes brasileiros que haviam regressado com fortuna, e que por lá aprenderam a dar valor à instrução, contam-se dois: António Maria da Costa e Manuel António Azevedo, cuja memória ainda hoje está bem viva na tradição oral das terras que receberam os seus legados.

Pelo montante destaca-se o legado de Manuel António de Azevedo, natural da aldeia de Roios, concelho de Vila Flor, falecido em 27 de Março de 1893, na cidade do Porto. Os seus testamenteiros ficaram com a obrigação de mandar construir uma escola feminina, em Vila Flor, e duas escolas, em Santa Comba da Vilariça, para no final as entregarem às respectivas juntas de paróquia. Eram, conforme as plantas, arquivadas no IAN/TT43, construções que respeitavam as normas pedagógicas e higiénicas em vigor: espaçosas, arejadas e iluminadas.

O edifício escolar de Santa Comba da Vilariça foi construído em terreno adquirido a um particular, pelo valor de 409$400 reis. Como era destinado para os dois sexos, tinha duas salas de aulas com uma habitação para o respectivo/a professor/a, como mostra a planta apresentada de seguida:

(Não chegou a imagem da planta com a seguinte legenda: Figura 2 - Planta da casa da escola do sexo masculino e feminino de Santa Comba da Vilariça 1893)

As escolas, mandadas construir com o legado de António Manuel de Azevedo, tinham todas as condições para serem construções sólidas e robustas.

Prova do que acabámos de afirmar é a escola, mandada construir para os dois sexos, em Santa Comba da Vilariça, que com mais de mais de um século de existência, ainda hoje se encontra em razoável estado de conservação, como mostra a forografia, que reproduzimos a seguir, continuando a cumprir os desígnios da sua criação" (Também não chegou fotografia nenhuma).

Peço desculpa à Nanda por só agora vir ao de cima este seu interessantíssimo comentário, no entanto, se quiser enviar a planta e a foto que lhes são relacionados, com todo o gosto as colocarei aqui.

sábado, 20 de março de 2010


Se pelo sonho é que vamos, se o sonho comanda a vida, se por tudo isso o mundo pula e avança, então por que não nos juntamos e vamos jantar?
Agosto passado, quinta-feira antes da festa, três amigos fomos jantar e de repente lembramo-nos: e se começassemos a amadurecer a ideia de organizar um jantar entre os amigos da terra? Essa foi a semente!
De lá para cá, temos vindo a conversar uns com os outros e outros com uns, e aperecebemo-nos que era uma ideia que tinha pernas para andar, visto que as saudades da terra e a vontade de encontar amigos é partilhada por todos.
Dessa feita, concordamos que este sítio seria o melhor veículo para transportar a mensagem. Não se trata de um convite, de uma organização ou do que quer que seja. Trata-se única e simplesmente da vontade de unir pessoas amigas que se querem reencontrar, recordar, reviver e partilhar saudades comuns. Por isso, tal como este espaço, a adesão está aberta a todos aqueles que queiram juntar-se.
Concluiu-se que, esse dia, quinta-feira antes da festa, seria o melhor dia, uma vez que muitos conterrâneos se encontram na aldeia nessa altura. Já somos meia dúzia deles e muitos mais hão-de aparecer. Mais tarde, será posto um link no blog, onde constará os nome dos inscritos e a as futuras actualizações.
Por isso, se estás interessado em juntar-te àquilo que para já lhe vamos chamar de "jantar dos amigos da terra", podes enviar uma mensagem para o mail do blog.
seródio

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009


Casa da Renda


"Estamos convencidos que, desde sempre, os monges cistercienses possuíram estruturas capazes de satisfazer a arrecadação das suas rendas e foros auferidos pelos aforamentos efectuados nas suas terras da Vilariça. A localização da sede da abadia em Santa Comba, no lugar de S.Pedro, onde se situava a antiga igreja, pode indicar-nos que seria aí que se situaria a primitiva construção monástica, onde se englobavam as estruturas anexas necessárias à administração e arrecadação dos rendimentos da abadia.

A "Casa da Renda", era assim chamada por representar o local de depósito onde os rendeiros guardavam as rendas pagas por todas as pessoas pertencentes aos lugares da abadia. Esta estrutura estava incluída nos contratos de arrendamento celebrados, com lagar , celeiro e outros instrumentos necessários à aferição e arrecadação dos produtos.


A sua nova construção, agora incluída na aldeia, datada de 1740, coincide com a transferência e reedificação da igreja paroquial, o que significa uma aproximação para junto do aglomerado populacional e o abandono da velha localização. Para a sua construção, o Mosteiro despendeu 27.200 reis na compra de um leira, um palheiro, uma casa de forno, uma eira e três bocados de terra e sempre assumiu todas as despesas com as reparações e concertos efectuados do lagar."

in, Vilares, Manuel José "Abadia de S. Pedro de Santa Comba" Dissertação de Mestrado, pp.235-236, 2006, UTAD.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Eleições autárquicas 2009

Câmara Minicipal

PS - 194 votos (67,83%)

PPD/PSD - 32 votos (11,19%)

PCP-PEV -31 votos (10,84%)

CDS-PP - 6 votos (2,1%)

EM BRANCO - 19 votos (6.64%)

NULOS - 4 votos (1.4%)

Assembleia Municipal

PS - 135 votos(47,2%)
.
B.E. - 57 votos (19,93%)

PCP-PEV - 47 votos (16,43%)

PPD/PSD - 20 votos (6,99%)

CDS-PP - 12 votos (4,2%)

EM BRANCO - 10 votos (3.5%)

NULOS - 5 votos (1.75%)

Assembleia de freguesia

PS - 185 votos (64,69%) 5 - Fernando Brás; Artur Silva; Fernando Bento; Francisco Vaz; Nuno Teixeira
PCP-PEV - 46 votos (16,08%) 1 - Duarte Brás

PPD/PSD - 39 votos (13,64%) 1- Alcino Matias

EM BRANCO - 9 votos (3.15%)

NULOS - 7 votos (2.45%)

sábado, 3 de outubro de 2009

Cidadãos

Porque este é um espaço que se quer de todos nós; porque devemos ser também ser chamados à responsabilidade para lutar pela defesa da vida com qualidade e do bem-estar geral; porque pretendemos iniciativas que contribuam para a criação de uma consciência cívica; porque nos pertence o direito de participar mais activamente nas decisões da nossa comunidade; porque se nos obriga o exercício dos direitos constitucionais adquiridos; decidi colcar aqui no blog esta informação. Ou simplesmente, porque sim!



O texto que se segue vai ser editado tal e qual como o recebi.

"A partir de agora está disponível a plataforma autarquias.org. Com o autarquias.org os cidadãos podem alertar os municípios para as mais variadas situações, desde de lixos na via pública, postes de iluminação que não o funcionam, buracos na via pública, equipamento danificado, problemas nos abastecimentos, ou outros tipos de problemas, que muitas das vezes as Câmaras Municipais não tem conhecimento. Os cidadãos podem acompanhar as respostas das autarquias aos alertas apresentados por outros cidadãos, como também participarem nesses mesmos alertas adicionando comentários. O autarquias.org permite também a criação de debates por cidadãos que pretendem discutir assuntos que lhes pareçam pertinentes com outros cidadãos e com o próprio município ou questionar a autarquia sobre um assunto do interesse de todo o município., como também a abertura de petições. Participe neste projecto."

www.autarquias.org

Posto isto, ao dar uma olhadela por lá, conclui-se que é um sítio onde se pretende "transparência, participação e colaboração". Assim sendo, todos podemos participar e colaborar de forma transparente. Com um pequeno gesto, poderemos conseguir demonstrar responsabilidade no contexto social, fazendo a nossa parte, contribuindo para o crescimento do nosso colectivo.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Noite de arraial


O nosso conterrâneo piãozão enviou algumas fotos do arraial da nossa festa, para que possamos ter uma ideia da sua grandiosidade.


Ao que parece, o conjunto Triângulo, transmontano de Vimioso, não desiludiu e conseguiu aguentar-se, prolongando a festa até tarde.

Se bem que toda a gente conheça de cor e salteado o reportório do Quim Barreiros, se bem que muita gente já o tenha visto por várias vezes, o que é certo é que continua a arrastar multidões onde quer que vá.




Como aqui se pode ver, não cabia mais ninguém no largo e ao que parece, ainda compensa trazer artistas de renome, pois nesse dia o bar conseguiu um óptimo rendimento.
Este ano, a comissão de festas teve a feliz ideia de montar um outro bar junto à entrada da escola, evitando o desconforto de ter que se romper entre as pessoas para se chegar ao bar do costume.
À nova comissão, para o ano que vem, eu sugeria uma outra ideia: montar um outro bar onde costuma estar o camião dos conjuntos, pois assim apanharia ali os que vão beber aos cafés, pois, pelo que ouvi, houve cafés que não deram um "tusto" para a festa, quando é graças a ela,que nesse dia devem facturar boa maquia. É só uma ideia!


sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Bandeira de Santo António


A botelha-menina enviou-me duas fotos da procissão em que me apanhou com a bandeira do Santo António nas mãos. Já há muito que não me metia nestas andanças porque as costas já vão dando sinal de si, mas acontece que, este ano, surgiu o convite para ajudar a levar esta bandeira e como não sou pessoa de recusar, aceitei de muito bom grado.

Apesar de possuir algumas fotos das bandeiras, não sei ao certo quantas são nem que santos representam. Como a única maneira de as ver é estando armadas para a procissão, nas fotografias ficam sobrepostas porque estão encostadas umas sobre as outras. Ainda hei-de perguntar ao nosso dedicado sacristão, de certeza que saberá quais as suas imagens e talvez a sua origem, quem as tenha doado ou oferecido.

A propósito, julgo que a nossa igreja é riquíssima, não só a nível de santos, mas também bandeiras e ainda de paramentos, ou seja, as vestes com que o sacerdote celebra as missas ou outras cerimónias religiosas. Certa vez, talvez também por alturas da festa, o Alberto mostrou-nos, a mim e a outras pessoas, os antiquíssimos paramentos que repousam nos gavetões da sacristia. Por mim, até que seria interessante fazer uma exposição com todas essas vestes, para mostrar ao povo coisas que, se calhar, nunca foram vistas. É uma ideia.

No início desta descida, junto da casa da Ti Maria de Lurdes, quando com vento, temos que ser firmes e deitar-lhe bem as mãos. Para sorte minha até que estava sossegado.

Apesar da bandeira do Sagrado Coração de Jesus ser a maior, dizem que esta é a mais pesada, devido à espessura do seu tecido. Quanto a isso, não posso afirmar, mas também me parece que assim seja. Seja como for, de uma maneira ou de outra, haveremos de contribuir para que, tanto as nossas bandeiras como os andores, não fiquem na igreja por falta de quem lhe pegue. Tenho a certeza que todos nós ficavamos a perder, pois não disfrutaríamos deste magnífico desfile de tanta fé, beleza e emoção.

domingo, 13 de setembro de 2009

Procissão em honra de S. Bernardo

Apesar de sempre ter participado na procissão e de já ter levado grande parte das bandeiras e dos andores, já havia uns bons pares de anos que tinha decidido apenas percorrê-la com sentido de peregrinação, seguindo-a em silêncio, tal como deve ser feito qualquer acto com intençao de viagem interior, independentemente de devoção ou promessa. E por falar nisso, confesso que, sempre a fiz sempre cá para o fim, onde, curiosamente, as pessoas não guardam silêncio nenhum, indo todo o percurso a palrar. Mas quanto a isso, cada um deverá ser capaz de saber os motivos das suas intenções.
Curiosamente, este ano, convidaram-me para levar uma bandeira, ao que acedi de imediato sem hesitar, não tanto pela devoção ao santo em si, mas mais pela pessoa que me convidou e também para ver a procissão de outro lugar. De imediato, percebi que não disporia de tanto tempo para fotografar a procissão como desejaria, o que se veio a confirmar, pois a bandeira era pesadíssima e as pausas em que alternava com o meu parceiro, bom jeito deram para descansar e recuperar forças e não tanto para tirar fotografias. Ainda assim, lá houve tempo para fotografar alguma coisa que de interesse aqui possa aparecer.

O interior da nossa bonita igreja, pouco antes de começar a missa, com os andores primorosamente enfeitados. Tirei ainda fotografias individuais a cada um deles, onde se pode constatar que as respectivas mordomas não deixam o trabalho por mãos alheias, empenhando-se afincadamente na sua decoração, deixando-os com uma magnífica apresentação.

As acólitas, enquanto aguardam o começo da missa.

Com os andores a ocupar grande parte do espaço da igreja, as pessoas vão-se aglomerando cá fora, onde se encontram velhos amigos e conhecidos.

Como é habitual, as bandeiras pequenas são as primeiras a sair. De certeza, todos estes rapazes que começam por levar estas mais levezinhas, no futuro, com ou sem devoção, quererão mostrar parte da sua masculinidade e atrever-se-ão a levar as mais pesadas, como ritual de afirmação de passagem à idade adulta.

Não sei se conseguirei imaginar uma procissão sem banda. Há momentos em que nos dá a ideia que é o toque da banda que marca o compasso do andamento da procissão, deixando-nos embalar pela sua cadência.

No largo das Eiras, onde, quando passavamos, éramos olhados em silêncio pelos conjuntos que montavam os seus instrumentos, hoje em dia, já proliferam por ali também alguns tendeiros.


E aqui está a guarda d'honra, aprumada nas suas belas montadas.
Poderá ser considerada uma pequena extravagância, no entanto foi um pormenor que a comissão de festa fez questão de apresentar na procissão e que, no meu entender, confere alguma importância à procissão, tornando-a mais solene.
Por falar em aprumo ...

De seguida, segue-se a entrada dos andores na igreja. Escolhi este ângulo, porque me pareceu o mais adequado para captar a imponência dos nossos andores e o esforço em recolhê-los, fazendo-os regressar à igreja.

A nossa Santa Comba. Pelo que já li, esta santa tem uma história muito interessante que a muitos de nós diz respeito, mas ficará para mais tarde quando a puder apresentar com sólidas argumentações.

O S. Jorge que, talvez merecesse melhor sorte que o isolamento do Lacoeiro.

O mártir S. Sebastião.

O Menino Jesus, o qual, há já uns anos, deu um grande trambolhão, chegando-se a apregoar que o mundo ia acabar.

Nossa Senhora do Rosário

Santo António

S. Lúcio, santo do qual tenho poucas recordações.

Nossa Senhora de Fátima

S. Judas Tadeu

Sagrado Coração de Jesus

Nosso Senhor dos Passos. Aquela que, para mim, é sem sombra de dúvidas, a imagem mais bela da nossa igreja.
Nossa Senhora das Dores. Outra belíssima imagem!

S. Pedro. O nosso santo padroeiro e o primeiro Papa da Igreja.
E ei-lo, altivo e sereno, S. Bernardo, santo da maior devoção das nossas gentes, incluindo eu.

Todos os anos se fala na falta de adesão à inicitiva de levar bandeiras ou andores. Não tenho conhecimento que, algum, alguma vez, tenha ficado na igreja, e isto porque, há gentes na nossa terra que ainda lhes pega com alma.
E o final da procissão consuma-se.

Os peregrinos vão desmobilizando e as colchas nas janelas dizem-nos adeus, até p'ró ano.
A banda de música acaba em grande, destroçando em marcha e a tocar.