segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Montaria ao Javali


Realizou-se na nossa aldeia mais uma edição da montaria aos javalis.
Logo cedo, por volta das 8 h 30, começaram a chegar os primeiros caçadores e ia-se dando uma olhadela ao tempo.
Como toda a ajuda é pouca, toca de arregaçar as mangas e começar a tratar do mata-bicho.
Elemento fundamental de uma montaria: as matilhas. Este ano entraram seis.
Como tem vindo sendo hábito, os restos da fogueira de Natal são aproveitados para este dia e diga-se de passagem que bom jeito dá.
Acendem-se outras fogueiras e, enquanto se fazem brasas, aguarda-se que vá chegando o resto do pessoal.
Feitas as brasas, há que pôr nas grelhas as assaduras que vão enriquecer o mata-bicho.
Compra-se a "porta" ...
... e dá-se uma olhadela à mancha.
Montada a mesa para o mata-bicho ...

... todos se apressam em chegar-se à frente para, de navalha em riste, atacar os nacos mais apetecíveis. Além da carne assada, do mata-bicho constava ainda: pão, bolas (das nossas),presunto, queijo, nozes, sumos e vinho.

E obviamente, todos quiseram uma canja quentinha para acabar de reconfortar o estômago.

Aguardava-se o sorteio das portas e ia-se confraternizando, revendo velhos amigos e contando outras façanhas.

Chegado o sorteio, cada caçador era chamado e dirigia-se à organização de onde retirava um envelope com um número. Depois de visto o número, a curiosidade levava-nos novamente a espreitar a mancha para assim vermos a nossa posição.

Visto o número, cada caçador dirigia-se à respectiva armada que o iria levar à porta destinada.

Rego-do-Souto acima, lá seguiram as armadas cada uma com seu destino.

Calhou-me a porta 45. Vim na armada do Ti Chico, o qual me disse ser ali bom sítio.

Na paisagem, viam-se lá atrás, montes de Benlhevai.

Como a minha porta se encontrava quase no limite da mancha e logo no local onde entraram duas matilhas, após a passagem destas logo deduzi que a montaria para mim estaria feita.

A chegada com o resultado da caçada é sempre aguardada com expectativa pelos caçadores e também por muitos locais curiosos.

Apesar de tudo não foi má, mas nada que se comparasse com o ano passado, onde se capturaram 11 peças.



Enquanto se rematavam 3 dos javalis, iam-se vendendo umas rifas para sortear o outro. Sorte que acabou por calhar a um caçador de Sampaio.

No interior do salão, encontrava-se já posta a mesa para dar de jantar aos caçadores.

Em saudável convívio, caçadores, matilheiros e outros colaboradores, finalizaram então este comprido e agradável dia.

Apesar de ainda não ter feito muitas montarias, ainda não vi nenhuma com as condições da nossa. E esta conclusão pode também ser escutada nos comentários que outros caçadores vão fazendo: boa organização, boas condições, espaço à farta para estacionamentos e o mais importante: tem havido sempre recos.

Resta-me concluir com agrado, o facto de alguns conterrãneos nossos, mesmo não sendo caçadores, participaram com muito agrado nesta actividade, sentido algum orgulho por dela fazer parte.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Por Santa Comba, na noite de Natal

Apesar de todo este frio e nevoeiro, sempre esteve garantido que só a fogueira de Natal me tiraria do agradável e reconfortante aconchego familiar!
Como a prole ainda faz questão que o velho gordo e barbudo apareça, toca lá de alombar com o saco das prendas às costas escadas acima. Depois de desembrulhado todo o entusiamo e ansiedade, ainda houve tempo para continuar a encher o bandulho com as respectivas iguarias da época.
Por volta da uma hora, a companhia começou a adormecer e a desmobilizar. Como não sou de ir à cama cedo, decidi-me dar uma volta pela noite, como gosto de às vezes fazer.

Aparelhado e cheio de ilusão, lá pus pernas ao caminho encetando a viagem pela descida da Travessa da Escaleirinha. Curiosamente, também nunca tinha visto a aldeia com esta tonalidade: o tom amarelado dos candeeiros misturado com a densa cortina do nevoeiro, emprestava ao ambiente, um tom baço e antigo. Magnífico!

O adro tornava-se esplendoroso!

Construção de outras épocas, mas bem restaurada e com ricos pormenores.

Pormenor interessantíssimo sobre a entrada da sacristia. Embora conheça alguma da sua história, continuo a interrogar-me sobre esta sua localização. Voltaremos cá.

Canto outrora escurinho, onde se devem ter trocado doces e ternas palavras, hoje encontra-se ricamente iluminado.

Atravessado o Terreiro, fomos de encontro à Portela, cantinho onde alegremente cresci e vivi quase toda a minha vida. Quanta gente havia por aqui noutros tempos! Mas hoje, posso afiançar que se encontra totalmente deserto. Como o tempo passa, tudo passa também.

Acredito que a Casa do Casulo (ou casa do Lopes) com uma operação estética identica à sua vizinha do lado, tornar-se-ia um um belo acontecimento.

Cá está a Barreira! Lugar de encontro de todos os encontros, onde se devem ter passado a maior parte de saudosos e bons momentos. Apesar de sozinha continua acolhedora. Inesquecível!

E lá vamos nós calçada abaixo, tentando adivinhar quais os companheiros que se encontrarão a alimentar o solestício. Mas ao mesmo tempo estranhava tanto silêncio!

Acompanhado pelo Senhor da Boa-Morte, o nosso presépio encontrou a gruta ideal para se abrigar.

Apesar de magro de reis, na sua simplicidade tornava-se eternecedor contemplar majestosas figuras.
E uma estrela feita árvore.


E heis que então ... surgiu a fogueira, sozinha e triste. Não queria acreditar: uma fogueira de Natal só para mim?! Sabendo que calado é a forma de melhor pensar, nem palavra que disse. Aproximo-me do calor, atiço os canhotos, pego num guiço, acendo e fumo um saboroso e pensativo cigarro. Então, sozinho e comigo, lá me convenço de ter passado uma belíssima noite de Natal. E ala que se faz tarde!

Casa, onde com 15 anos, comecei as minhas lides na construção civil em tempo de férias. Os azulejos daquela varanda, foram abondados por mim ao artista.

E daqui, o largo das Eiras com o seu envergonhado coreto e a escola de cima.

A caminho de casa, ao subir o Tambarão, ainda pensei que o Santo António me lançava um olhar reprovador, mas lá o tranquilizei com um silencioso e fraterno Feliz Natal.

seródio

domingo, 4 de janeiro de 2009

Santa Comba, tão bonita ...
Nunca me lembro, de algum dia, ter visto a minha aldeia assim!

Ao que parece, e por conversas com outras pessoas mais velhas, também ninguém se lembra de tamanho gelo. Embora nesta altura do ano "caiam" valentes geadas, desta vez, também por ali se deixou ficar por vários dias um denso e teimoso nevoeiro, favorecendo o acumular de geadas sucessivas. Se bem que, por um lado, este tempo, por motivos mais que evidentes, não permitiu a apanha da azeitona, por outro, proporcionou momentos de singular beleza. De certeza que toda a gente comunicou este facto aos seus familiares e conterrãneos, mas mesmo assim, aqui ficam alguns momentos para mais tarde recordar.

Perto de um "gritcho" que mansamente respingava, estas ervas tinham seguramente uma camada de 3 a 4 cm de gelo.

As romãs (arremigadas) dos últimos resistentes frutos de Outono, assumiam agora um bonito e colorido aspecto. E mais palavras não digo, de modo a que se possa usufrir da sensação fria de algumas imagens ...







E as mãos do habilidoso artesão lá conseguiram esculpir delicadamente este simples e mgnífico presépio.









seródio

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Todos à festa!


O nosso a.silva acaba de informar de que, amanhã, dia 4 de Outubro, estes moçoilos mirandeses "Quinteto Reis/84" actuarão no largo das Eiras por volta das 21.00 horas.

Por isso, vamos lá a proveitar estes restinhos de Verão e ouvir cantares de música tradicional portuguesa, acompanhados por uma sardinhada agendada pela Comissão de Festas da nossa terra.

E como ele próprio disse, com a boa vontade de todos, podemos reunir esforços e conseguir, cada vez mais, unir-nos em volta de projectos comuns.

Obrigado pela informação, a.silva.

Obs.: Caso o tempo não o permita, a actuação efectuar-se-á no salão da Junta de Freguesia – na Av. D. Lucinda de Oliveira.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

CHORO DA MOURA

"Há em Santa Comba da Vilariça, concelho de Vila Flor, uma fonte de água muita pura, à qual está ligada a lenda de uma moura.

Diz o povo que, há muito, muito tempo, viveu nestas terras uma princesa moura, que, quando os cristãos e os mouros deixaram de guerrear-se, sonhou em casar com um jovem cristão. Estava então tudo preparado para o casamento quando chegaram notícias de mais uma guerra entre cristãos e mouros.
O noivo teve por isso de partir para o campo de batalha, no cumprimento do seu dever. E nessa batalha acabou por morrer. Acontece que a princesa moura continuou a esperá-lo. E como o noivo nunca mais aparecia, todos os dias ela chorava lágrimas e lágrimas de saudades. E dessas lágrimas – diz o povo – nasceu uma fonte, que hoje lá continua. E os murmúrios da água a correr lembram o choro constante da moura inconsolável".

A nossa botelha-menina enviou esta lenda, ao que consta pertencente a Santa Comba. É certo e sabido que, lendas sobre mouras abundam por toda a tradição oral nas mais variadas versões.

Embora já a tenha lido algures e conheça pessoalmente quem a editou na sua tese de doutoramento, não me recordo de ter crescido com esta lenda na memória. No entanto, julgo lembrar-me de ter lido, na mesma tese, outras lendas sobre a nossa terra, das quais aqui darei conhecimento numa outra altura.

Ainda assim, se alguém tiver conhecimento de outras manifestações da nossa tradição oral, poderá também usar este espaço para as partilhar com todos os outros.