Perto de um "gritcho" que mansamente respingava, estas ervas tinham seguramente uma camada de 3 a 4 cm de gelo.
seródio
Perto de um "gritcho" que mansamente respingava, estas ervas tinham seguramente uma camada de 3 a 4 cm de gelo.
seródio

O nosso a.silva acaba de informar de que, amanhã, dia 4 de Outubro, estes moçoilos mirandeses "Quinteto Reis/84" actuarão no largo das Eiras por volta das 21.00 horas.
Por isso, vamos lá a proveitar estes restinhos de Verão e ouvir cantares de música tradicional portuguesa, acompanhados por uma sardinhada agendada pela Comissão de Festas da nossa terra.
E como ele próprio disse, com a boa vontade de todos, podemos reunir esforços e conseguir, cada vez mais, unir-nos em volta de projectos comuns.
Obrigado pela informação, a.silva.
Obs.: Caso o tempo não o permita, a actuação efectuar-se-á no salão da Junta de Freguesia – na Av. D. Lucinda de Oliveira.
"Há em Santa Comba da Vilariça, concelho de Vila Flor, uma fonte de água muita pura, à qual está ligada a lenda de uma moura.
A nossa botelha-menina enviou esta lenda, ao que consta pertencente a Santa Comba. É certo e sabido que, lendas sobre mouras abundam por toda a tradição oral nas mais variadas versões.
Embora já a tenha lido algures e conheça pessoalmente quem a editou na sua tese de doutoramento, não me recordo de ter crescido com esta lenda na memória. No entanto, julgo lembrar-me de ter lido, na mesma tese, outras lendas sobre a nossa terra, das quais aqui darei conhecimento numa outra altura.
Ainda assim, se alguém tiver conhecimento de outras manifestações da nossa tradição oral, poderá também usar este espaço para as partilhar com todos os outros.
Como se poderá ler no post "(a)pára-raios", já muito se tem falado sobre o desgraçado do coreto (mono ou fungo como outros lhe chamam) quanto à sua discutível estética e funcionalidade. Contudo, o propósito deste post é aqui editar um poema deixado pelo conterrâneo R.N. que, quis fazer das palavras da amiga Patrícia Lino as palavras do coreto:
"Estou frágil. As minhas pernas estremecem
Em tons de controvérsia e as minhas asas
Caem inertes sobre minhas mãos, que parecem
Mortas, de tão traídas e magoadas.
Minha alma grita em tons de misericórdia,
E meus olhos, meio abertos, deleitados
Em lágrimas de rebeldia e discórdia,
Se fecham constantemente, fragilizados.
Meu corpo arrasta-se, fraco e amordaçado,
Pelas insónias de fragilidade que a noite lhe traz.
Isola-se, fraquejando, imune e mortificado
Do prazer que jamais o satisfaz.
Minha boca, selada e constrangida,
Silencia-se em pausas de fraqueza
E, perdida entre volumetrias de desejos,
Afunda-se em singelos sinais de tristeza (...)"
O R.N. acrescenta ainda que se podiam fazer no coreto umas sessões de poesia. E por que não? Pôr lá uns banquinhos em toda a volta, em jeitos de domus municipalis, onde os "homens bons" da aldeia se poderiam sentar em torno de assuntos de interesse. A parte de baixo, transformar-se-ia em cisterna, mas cheia de minis. Abria-se um buraco no meio e tiravam-se com uma cegonha. Digo eu, sei lá!
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Comissão de Festas
Ao que parece, esta comissão já começou a angariar fundos para a realização da festa, tendo para tal realizado um jantar aberto nas Eiras, composto por Chanfana de Cabrito ao preço de 6 euros por pessoa, com comida à discrição. O repasto foi confeccionado pela esposa do Sr. Amilcar e pelo que consta, bastante saborosa e muito elogiada.
Embora saiba da existência de um origininal, esta imagem é uma reprodução grosseira e apressada de um cartaz da festa do S. Bernardo de 1947. No entanto, não deixa de ser interessantísimo verificar como os nossos conterrâneos passavam na altura essas festividades. O documento de onde tirei estes dados tinha uma anotação manuscrita do nome de Albérico Freire

Mas interessantíssimo, é a história da nossa escola. Conforme se pode ver no frontespício foi um legado feito por aquele senhor que, até se pensa que não tivesse qualquer ligação à aldeia. Felizmente, já tive a oportunidade e o privilégio de ler o seu testamento e julgo que seria algo digno de maior relevo.



"Santa Comba - freguezia, Traz-os-Montes comarca de Mirandella, concelho de Villa Flôr, 145 kilometros ao NE de Braga, 375 ao N de Lisboa, 100 fogos.
Em 1757 tinha 68 fogos.
Orago S. Pedro, apostolo.
Arcebispado de Braga, districto administrativo de Bragança.
Era antigamente da comarca da Torre de Moncorvo, termo de Villa Flôr.
O abbade do convento de bernardos, de Santa Maria de Bouro, apresentava o vigario, a quem dava 11$600 reis e 22 alqueires de trigo.
Cada freguez lhe dava tambem 100 reis annualmente.
É terra fértil.
Grande cultura de bixo de seda, ha mais de 150 annos. Gado e caça.
Réga esta freguesia a ribeira de Villa-Riça, por isso se chama geralmente Santa Comba de Villa Rica".
in PINHO LEAL, Portugal Antigo e Moderno. Lisboa. 1874.
Por falar em trovodas ...
Nunca tinha visto tão de perto um pára-raios. Acreditem que até lhe toquei com algum receio, desconfiado de alguma carga ainda armazenada de algum raio que tivesse aparado.
Na minha meninice cheguei a pensar que o pára-raios nos protegia porque afastava o raio. Coisas de garoto. Mas não, o pára-raios também tem o nome de "captor", para que as descargas atmosféricas sejam enviadas directamente para a terra protegendo as suas imediações, evitando-se dessa maneira danos colaterais, pondo em risco as pessoas e o património.
Não sei quantos raios este aparou, mas já não deve aparar muitos mais, agora que, repousa sossegada e longamente deitado sobre o telhado da Casa do Povo. Talvez se tenha cansado de proteger o património.
Curiosidade relacionada: o pára-raios foi inventado por Benjamin Franklin em 1752. Inicialmente houve resistência das religiões porque raio era considerado fúria de Deus e o homem não podia interferir.

Santa Bárbara bendita
Que no céu está escrita
Com papel e água benta
Nosso senhor nos livre desta tormenta
Santa Bárbara se vestiu e se calçou
Ao caminho se deitou
Jesus Cristo a encontrou e lhe perguntou:
- Onde vais Bárbara?
- Vou a Jerusalém, arramar esta trovoada
Onde não haja pão nem vinho
Nem flor de rosmaninho
Não é que a saiba de cor, mas cada vez que ouço trovoar, vem-me sempre à ideia esta ladaínha que minha avó desfiava repetidamente enquanto os trovões esterrincavam por cima de nós e eu sem saber onde me meter. Já não tenho ideia se o cheguei a fazer ou de a minha avó o dizer que, metendo-nos debaixo daqueles grossos e ásperos cobertores de lã ficavamos mais protegidos.
Agora pior pior, era quando, repentina e desprevenidamente, a trovoada me apanhava em pleno campo, numa ida aos espargos ou à passarada. Isso sim! Até chegar a casa era um autêntico martírio!
(Quem crê que há Santa Bárbara, julgará que ela é gente e visível, ou que julgará dela?)
Alberto Caeiro