Apesar de todo este frio e nevoeiro, sempre esteve garantido que só a fogueira de Natal me tiraria do agradável e reconfortante aconchego familiar!
Atravessado o Terreiro, fomos de encontro à Portela, cantinho onde alegremente cresci e vivi quase toda a minha vida. Quanta gente havia por aqui noutros tempos! Mas hoje, posso afiançar que se encontra totalmente deserto. Como o tempo passa, tudo passa também.
E heis que então ... surgiu a fogueira, sozinha e triste. Não queria acreditar: uma fogueira de Natal só para mim?! Sabendo que calado é a forma de melhor pensar, nem palavra que disse. Aproximo-me do calor, atiço os canhotos, pego num guiço, acendo e fumo um saboroso e pensativo cigarro. Então, sozinho e comigo, lá me convenço de ter passado uma belíssima noite de Natal. E ala que se faz tarde!
Casa, onde com 15 anos, comecei as minhas lides na construção civil em tempo de férias. Os azulejos daquela varanda, foram abondados por mim ao artista.
E daqui, o largo das Eiras com o seu envergonhado coreto e a escola de cima.
A caminho de casa, ao subir o Tambarão, ainda pensei que o Santo António me lançava um olhar reprovador, mas lá o tranquilizei com um silencioso e fraterno Feliz Natal.
seródio

Embora saiba da existência de um origininal, esta imagem é uma reprodução grosseira e apressada de um cartaz da festa do S. Bernardo de 1947. No entanto, não deixa de ser interessantísimo verificar como os nossos conterrâneos passavam na altura essas festividades. O documento de onde tirei estes dados tinha uma anotação manuscrita do nome de Albérico Freire