Propositadamente, não fiz qualquer tipo de comentário durante a exposição das fotografias para que se pudesse acompanhar o seu percurso em silêncio, meditando e reflectindo, tal como eu gosto de fazer a procissão.

Mas interessantíssimo, é a história da nossa escola. Conforme se pode ver no frontespício foi um legado feito por aquele senhor que, até se pensa que não tivesse qualquer ligação à aldeia. Felizmente, já tive a oportunidade e o privilégio de ler o seu testamento e julgo que seria algo digno de maior relevo.



"Santa Comba - freguezia, Traz-os-Montes comarca de Mirandella, concelho de Villa Flôr, 145 kilometros ao NE de Braga, 375 ao N de Lisboa, 100 fogos.
Em 1757 tinha 68 fogos.
Orago S. Pedro, apostolo.
Arcebispado de Braga, districto administrativo de Bragança.
Era antigamente da comarca da Torre de Moncorvo, termo de Villa Flôr.
O abbade do convento de bernardos, de Santa Maria de Bouro, apresentava o vigario, a quem dava 11$600 reis e 22 alqueires de trigo.
Cada freguez lhe dava tambem 100 reis annualmente.
É terra fértil.
Grande cultura de bixo de seda, ha mais de 150 annos. Gado e caça.
Réga esta freguesia a ribeira de Villa-Riça, por isso se chama geralmente Santa Comba de Villa Rica".
in PINHO LEAL, Portugal Antigo e Moderno. Lisboa. 1874.
Por falar em trovodas ...
Nunca tinha visto tão de perto um pára-raios. Acreditem que até lhe toquei com algum receio, desconfiado de alguma carga ainda armazenada de algum raio que tivesse aparado.
Na minha meninice cheguei a pensar que o pára-raios nos protegia porque afastava o raio. Coisas de garoto. Mas não, o pára-raios também tem o nome de "captor", para que as descargas atmosféricas sejam enviadas directamente para a terra protegendo as suas imediações, evitando-se dessa maneira danos colaterais, pondo em risco as pessoas e o património.
Não sei quantos raios este aparou, mas já não deve aparar muitos mais, agora que, repousa sossegada e longamente deitado sobre o telhado da Casa do Povo. Talvez se tenha cansado de proteger o património.
Curiosidade relacionada: o pára-raios foi inventado por Benjamin Franklin em 1752. Inicialmente houve resistência das religiões porque raio era considerado fúria de Deus e o homem não podia interferir.

Santa Bárbara bendita
Que no céu está escrita
Com papel e água benta
Nosso senhor nos livre desta tormenta
Santa Bárbara se vestiu e se calçou
Ao caminho se deitou
Jesus Cristo a encontrou e lhe perguntou:
- Onde vais Bárbara?
- Vou a Jerusalém, arramar esta trovoada
Onde não haja pão nem vinho
Nem flor de rosmaninho
Não é que a saiba de cor, mas cada vez que ouço trovoar, vem-me sempre à ideia esta ladaínha que minha avó desfiava repetidamente enquanto os trovões esterrincavam por cima de nós e eu sem saber onde me meter. Já não tenho ideia se o cheguei a fazer ou de a minha avó o dizer que, metendo-nos debaixo daqueles grossos e ásperos cobertores de lã ficavamos mais protegidos.
Agora pior pior, era quando, repentina e desprevenidamente, a trovoada me apanhava em pleno campo, numa ida aos espargos ou à passarada. Isso sim! Até chegar a casa era um autêntico martírio!
(Quem crê que há Santa Bárbara, julgará que ela é gente e visível, ou que julgará dela?)
Alberto Caeiro
Cruzeiro d'Avenida
Cruzeiro do Santo Cristo
Já há algum tempo que esta ideia andava a bailar na cabeça, mas só agora se ganhou ânimo e finalmente concretizou-se. A criação deste blog pretende ser uma preparação para a edição de uma página de internet, a qual já se encontra registada, só que ainda vazia de conteúdo.
Quero crer que a nossa aldeia merece que se lhe dê algum relevo, não só pela sua importância histórica como também pela estima que todos os nossos conterrâneos sentem por ela. Ao que parece, muita da nossa gente que se encontra fora (e mesmo os residentes) quando procura informação sobre a nossa terra, conclui que pouca coisa existe e alguma da que vai havendo apresenta algumas lacunas na apresentação dos vários dados.
Assim sendo, esta ideia surge mais como uma proposta a todos aqueles que, de uma forma ou de outra, queiram colaborar na construção de um projecto comum que é o de dar a conhecer e partilhar o que a nossa terra tem, o que a nossa terra foi e o que a nossa terra é. Por isso, quem quiser participar, pode enviar aquilo que julgue interessante (fotos, textos, poesia, lendas, ditos, ...) e que queira partilhar com os outros.
Para o efeito, será colocado o email na parte direita do blog para onde poderá ser enviado esse material. Ou então, pode também fazer comentários (em comentários) na parte final de cada mensagem. Os comentários não serão sujeitos a qualquer tipo de aprovação, pelo que serão automaticamente editados. Por isso, as palavras são de quem as diz. Contudo, o ideial seria a participação de todos os que sentem algum afecto pela santa terrinha.
Por mim, julgo ter alguma informação interessante sobre Santa Comba, a qual vou colocando aqui à medida que for surgindo, mas sem qualquer tipo de critério. Sempre que possível, serão também colocadas fotografias de pormenores com algum interesse.
Quem dá o que tem, a mais não é obrigado! E como diria o outro: Faço como posso e sei. Quem puder e souber melhor, que o faça!
Até breve.