sábado, 30 de agosto de 2008

FESTA DE S. BERNARDO

Dia da procissão


Propositadamente, não fiz qualquer tipo de comentário durante a exposição das fotografias para que se pudesse acompanhar o seu percurso em silêncio, meditando e reflectindo, tal como eu gosto de fazer a procissão.

sábado, 28 de junho de 2008

Escola Primária de Santa Comba

Pois, foi neste interessante edifício que, muita gentinha de Santa Comba aprendeu as primeiras letras e também muita porradinha levou. No que a mim me toca, fiz a 1ª e 2ª classes na parte de cima com o professor Oliveira (Murraco) e a 3ª e a 4ª classes na parte de baixo com a Dª. Camila. Quanto à porradinha, calharam-me meia dúzia de réguadas do prof. Murraco por ter feito um "buraco" na cabeça a um colega da sala e outras tantas da Dª. Camila pelo famoso "assalto" ao pomar do seu pai na Ferradosa, num dos habituais piqueniques que na altura se faziam, aos sábados salvo o erro.
Mas foi uma alegria! Guardo recordações de toda aquela "rebanhada" espalhada por ali fora em tremendas algazarras. Ah, outra coisa que agora me lembro era de que, no Inverno, enquanto aguardavamos a espera do Murraco, teriamos que ir à "lenha" (uns gravetos que por ali se apanhavam!) para nos aquecermos. E uma coisa era certa: quem não o fizesse, não se chegava ao quente, pois o dono dos fósforos nisso, era inflexível. Bons tempos!
Para não falar nas macaquices que alguns faziam com o tubo de escape do Ford amarelo do professor. Enfim, tudo passa!

Mas interessantíssimo, é a história da nossa escola. Conforme se pode ver no frontespício foi um legado feito por aquele senhor que, até se pensa que não tivesse qualquer ligação à aldeia. Felizmente, já tive a oportunidade e o privilégio de ler o seu testamento e julgo que seria algo digno de maior relevo.


domingo, 15 de junho de 2008

Casa do Casulo




Também conhecida por Casa do Lopes, desta casa alguém me disse que se lembra de ter visto os seu sobrados cobertos de bichos da seda, os tais casulos que lhe teriam dado o nome. Talvez fosse algum local de recolha e tratamento desta actividade que, assumira importante relevo na industria manufactureira de Alfândega da Fé e de Moncorvo, principalmente nos séculos XVIII e XIX.


domingo, 8 de junho de 2008

Santa Comba - 1874


"Santa Comba - freguezia, Traz-os-Montes comarca de Mirandella, concelho de Villa Flôr, 145 kilometros ao NE de Braga, 375 ao N de Lisboa, 100 fogos.

Em 1757 tinha 68 fogos.

Orago S. Pedro, apostolo.

Arcebispado de Braga, districto administrativo de Bragança.

Era antigamente da comarca da Torre de Moncorvo, termo de Villa Flôr.

O abbade do convento de bernardos, de Santa Maria de Bouro, apresentava o vigario, a quem dava 11$600 reis e 22 alqueires de trigo.

Cada freguez lhe dava tambem 100 reis annualmente.

É terra fértil.

Grande cultura de bixo de seda, ha mais de 150 annos. Gado e caça.

Réga esta freguesia a ribeira de Villa-Riça, por isso se chama geralmente Santa Comba de Villa Rica".

in PINHO LEAL, Portugal Antigo e Moderno. Lisboa. 1874.

domingo, 1 de junho de 2008

(a)pára-raios





Por falar em trovodas ...

Nunca tinha visto tão de perto um pára-raios. Acreditem que até lhe toquei com algum receio, desconfiado de alguma carga ainda armazenada de algum raio que tivesse aparado.

Na minha meninice cheguei a pensar que o pára-raios nos protegia porque afastava o raio. Coisas de garoto. Mas não, o pára-raios também tem o nome de "captor", para que as descargas atmosféricas sejam enviadas directamente para a terra protegendo as suas imediações, evitando-se dessa maneira danos colaterais, pondo em risco as pessoas e o património.

Não sei quantos raios este aparou, mas já não deve aparar muitos mais, agora que, repousa sossegada e longamente deitado sobre o telhado da Casa do Povo. Talvez se tenha cansado de proteger o património.


Curiosidade relacionada: o pára-raios foi inventado por Benjamin Franklin em 1752. Inicialmente houve resistência das religiões porque raio era considerado fúria de Deus e o homem não podia interferir.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Santa Bárbara bendita ...

Santa Bárbara bendita
Que no céu está escrita
Com papel e água benta
Nosso senhor nos livre desta tormenta

Santa Bárbara se vestiu e se calçou
Ao caminho se deitou
Jesus Cristo a encontrou e lhe perguntou:
- Onde vais Bárbara?
- Vou a Jerusalém, arramar esta trovoada
Onde não haja pão nem vinho
Nem flor de rosmaninho

Não é que a saiba de cor, mas cada vez que ouço trovoar, vem-me sempre à ideia esta ladaínha que minha avó desfiava repetidamente enquanto os trovões esterrincavam por cima de nós e eu sem saber onde me meter. Já não tenho ideia se o cheguei a fazer ou de a minha avó o dizer que, metendo-nos debaixo daqueles grossos e ásperos cobertores de lã ficavamos mais protegidos.

Agora pior pior, era quando, repentina e desprevenidamente, a trovoada me apanhava em pleno campo, numa ida aos espargos ou à passarada. Isso sim! Até chegar a casa era um autêntico martírio!

(Quem crê que há Santa Bárbara, julgará que ela é gente e visível, ou que julgará dela?)

Alberto Caeiro

domingo, 25 de maio de 2008

Os cruzeiros de Santa Comba

Cruzeiro d'Avenida

Cruzeiro do Santo Cristo


Cuzeiro do Calvário

"Existem nesta freguesia dois preciosos cruzeiros com inscrições paleográficas, ao que parece do século XIII. A inscrição que existe no fuste do primeiro, parece querer dizer: Esta cruz mandou fazer José Esteves e seu filho António Roiz. Tem mais a segunte indicação: Mudado em MDCCXI. A inscrição do segundo parece dizer: Esta obra fez Afonso Lopes e seu filho. Parece que as referidas inscrições revelam trabalhos paleográficos de alto valor, que documentam amplamente a perícia artística dos calígrafos bragançanos. À entrada da povoação fica um terceiro cruzeiro, muito mais recente."

AZEVEDO, Correia de. Património Artístico da Região Duriense.1992.

Sobre este assunto, muito mais haverá a dizer e talvez a esclarecer. Nos últimos tempos, falou-se sobre a questão de algum deles ter sido pelourinho ou não, pelo que lhe foi retirado esse estatuto. Deixaremos para mais tarde. Há mais dias do que tchouriças!

quinta-feira, 22 de maio de 2008


Ainda sobre 1960 - apontamentos


Sobre o último artigo, ainda guardo uns apontamentos que o meu saudoso avô me foi dizendo das suas (não muito exactas) memórias.

Então:
- os 2 albardeiros seriam: o Constantino "Albardeiro" e Armando "Cajeta";

- os 3 alfaiates eram: Luís Alfaiate, João Alfaiate e António "Gaio";

- 6 lagares de azeite: 2 do Aleixo; 2 da casa Oliveira; 1 do Monteiro e 1 do Candoso;

- a loja de fazendas era de Artur Oliveira;

- o ferrador, Constantino Navarro;

- a mercearia de Antero Teixeira;

Da casa de pasto e do Grupo Drmático Santa Combadense não tenho qualquer conhecimento, mas até seria interessante saber algo sobre isso.

Nota: Alguns nomes não são os verdadeiros nomes próprios das pessoas referidas, mas julgo que são os que melhor as identificam.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Santa Comba em 1960

“Santa Comba da Vilariça é uma freguesia do concelho de Vila Flor, donde dista cerca de 11 quilómetros, ficando para Nor-Nordeste e na margem direita da Ribeira da Vilariça, a 270 metros de altitude. Sobre a origem da freguesia supõe-se que a primitiva povoação se situou junto do ribeiro da Ferradosa, dado o aparecimento no local de restos de construções. Ali costumam aparecer vestígios de local romanizado, assim como no Rego do Souto.
Há referências a Santa Comba em vários documentos, dos quais se destacam as inquirições de D. Afonso III em 1258. A antiga paróquia era da apresentação dos abades do Mosteiro de Bouro, pertencente aos Bernardos. A atestar a sua antiguidade e valor encontramos várias casas apalaçadas e solarengas em cantaria bem aparelhada e assente, três cruzeiros, dos quais um data do século XIII, bem como a típica chaminé da Casa dos Ochoas. Nos meados do século XIX (primeiro em 27 de Março de 1865 e depois em 20 de Junho de 1876) é instalada ali a Escola Primária oficial para ambos os sexos, embora separados como era característico na altura. Em 1864 tinha 110 fogos e 441 habitantes. No censo seguinte, 1878, já tinha 133 fogos e 538 pessoas das quais 263 eram varões. Durante o século XX atinge 695 habitantes em 1940, enquanto em 1960 já tinha 741. Depois foi diminuindo e em 1991 ali residiam 535 pessoas, 225 das quais eram do sexo masculino. Em 2001 eram 471 residentes sendo 228 masculinos.
Em 1960 havia na freguesia 2 albardeiros, 3 alfaiates, 6 lagares de azeite, uma casa de pasto, uma loja de fazendas, um ferrador, 9 agricultores/lavradores registados, uma mercearia, um Grupo Dramático Santa Combadense, sendo o Pároco, José Alberto Araújo, o regedor Álvaro Augusto Freixo, o Presidente da Junta, Manuel de Oliveira, e professores: Alfeu Assunção Baptista e Angélica Cortinhas”.
Nos últimos tempos o desenvolvimento local é notório, mecanizando a agricultura, construindo pequenas indústrias, formando algumas empresas ou dedicando-se ao comércio. Tem o Vale da Vilariça a seus pés, e o cruzamento de estradas que vêm quer de aldeias de Alfândega da Fé, quer de Macedo ou Mirandela, quer de Moncorvo que ajuda ao seu progresso. As principais produções da terra são o azeite, o trigo, o vinho, os pomares de laranjeiras, pessegueiros e outras espécies de frutas, as hortaliças diversas, a batata. Serralharias, carpintarias, oficinas de automóveis, moagem, padaria, posto de abastecimento de combustível e até um restaurante.
É ali que também se situa o Campo de Futebol. Aproveita também as serras que a separam de Vila Flor, como a Fragada ou o Monte de D. Maria, para pastorearem os seus rebanhos de ovelhas e de cabras.
Nos tempos de lazer, juntam-se na Rua da Portela, no Largo da Barreira, ou no Largo das Eiras. Por vezes jogam à raiola, ao fito, e praticam futebol. Têm um Grupo Desportivo e Cultural de Santa Comba que tem feito parte dos campeonatos distritais de futebol”.

Fonte: Barroso da Fonte. Dicionário dos mais ilustres Transmontanos e Alto-Durienses. Vol. III. Editorial Cidade Berço. 2003.